Wednesday, November 12, 2008


CASTROS III- Cabeço do Couço



Povoado localizado num cabeço bastante íngreme, sobranceiro ao rio Alcofra que corre a sul. A sua origem remonta ao Bronze Final, perdurando a sua ocupação durante a idade do ferro. As escavações arqueológicas realizadas no seu interior, numa pequena plataforma localizada no lado norte, puseram a descoberto os alicerces de três casas de planta circular em pedra, e a face interna da muralha que circundava o cabeço. Do seu espólio constam entre outras cerâmicas de uso doméstico, cossoiros, mós, contas de colar e fragmentos de objectos metálicos de bronze e ferro. Os trabalhos de prospeção e escavação decorreram en 1997 e 1998 e Paisicaico esteve lá, conforme a foto ao lado documenta. A abertura do estradão que sobe o cabeço, atravessou a muralha defensiva e pôs a descoberto algum espólio que na altura era facilmente identificável e recolectável por quem ali passasse. Vale a pena a visita ao pouco ou muito pouco que ainda está explorado e a subida até ao cimo do cabeço, onde existem umas extensas lajes de pedra que segundo alguns testemunhos locais teriam a ver com os mouros, o que quer dizer que são antigos e que poderão estar relacionados com um lugar de culto dos habitantes do castro, conforme nós pessoalmente testemunhámos. A encosta sobre o vale do Alcofra é quase inexpugnável e só isso vale a visita. Apropósito fica na freguesia de Campia, concelho de Vouzela.


"A História é um conjunto de mentiras sobre as quais se chegou a um acordo"
Napoleão Bonaparte


Monday, November 03, 2008



ROMÃ





Algumas curiosidades curiosas sobre a romã: é o fruto da romãzeira (Punica granatum) e a sua principal característica distintiva é que o seu interior é subdividido por finas películas, que formam pequenas sementes possuidoras de uma polpa comestível, sendo provavelmente originária do próximo oriente e daí a importância que teve ao longo dos milénios para várias civilizações e religiões. A romã é referida nos textos bíblicos onde é associada às paixões e à fecundidade. Os gregos consideravam-na como símbolo do amor e da fecundidade tendo a romãzeira sido consagrada à deusa Afrodite, pois os gregos acreditavam nos seus poderes afrodisíacos. Para os judeus, a romã é um símbolo religioso com profundo significado no ritual do ano novo quando sempre acreditam que o ano que chega sempre será melhor do que aquele que vai embora. Ela estava também presente nos jardins do Rei Salomão e os romanos utilizavam-na nas suas cerimónias e nos seus cultos como símbolo de ordem, riqueza e fecundidade. Actualmente descobrem-se novas propriedades terapêuticas da romã que foram investigadas no Centro Oncológico da Universidade da Califórnia, sendo as suas principais acções anticancerígena e antioxidante. A romã diminui a multiplicação de células do cancro da próstata e conduz à sua morte. A descoberta foi recentemente publicada na revista científica “Clinical Cancer Research”, e indica que o sumo deste fruto pode ter efeitos terapêuticos memo após uma intervenção cirúrgica. Têm sido também referidas as suas acções no combate ao colesterol e ao envelhecimento e até mesmo prevenir a doença de Alzheimer. Mas o efeito afrodisíaco continua a ser um dos mais procurados na româ e actualmente está comprovado o seu mecanismo de acção ao aumentar a produção de óxido nítrico, contribuindo assim para a vasodilatação do pênis.
O sumo de romã tem demonstrado melhorar a disfunção eréctil em homens e nas mulheres, parece aumentar o desejo sexual. Facto curioso é que ainda hoje, em Israel podemos encontrar o vinho feito de romãs que constitui uma bebida revigorante também neste caso considerado como afrodisíaco por aqueles que o bebem.

"Sexo é a coisa mais divertida que eu já fiz sem que risse"
Woody Allen

Friday, October 31, 2008


LICOR DE MERDA


Muitos já terão ouvido falar ou mesmo provado o Licor de Merda, licor de leite fabricado em Cantanhede, mas poucos saberão a origem do seu singular nome. Pois, recorrendo ao seu sítio na internet, podemos verificar: "Em 1974 nascia o Licor de Merda. Portugal passava por um período conturbado marcado pela luta entre a esquerda e a direita. Neste contexto, o Licor de Merda foi criado para "homenagear" algumas autoridades que então governavam Portugal. Marca registada desde Abril de 2004." No mesmo site e em Curiosidades "* CONTRA-RÓTULO DA PRIMEIRA GARRAFA NO LONGÍNQUO ANO DE 1974 *O Licor de Merda é um produto de alta qualidade, cuja fórmula pertenceu no final do século XX ao Frade maluquinho "BASKU GONSALBES".É extraído a partir de diversas merdas de confiança, sujeito portanto a criar depósito com a idade.Recomenda-se que seja servido com o cuidado indespensável para não turvar." Interessante, não é?...
"Que pena beber água não ser um pecado! Que bem saberia então!"
Giacomo Leopardi

Thursday, October 30, 2008


PAISICNICO ?


Interessante, apesar de discordar, é a interpretação para a inscrição rupestre das Corgas Roçadas, no lugar de As Torres em Carvalhal de Vermilhas (Vouzela), dada no site referido abaixo. E não concordo pois simplesmente não consegui encontrar no local (que conheço razoavelmente bem) tantas letras como aqui vêm referidas e que levaram à respectiva interpretação. De qualquer forma aqui fica a curiosidade, traduzida do castelhano:


"Paisicaico também poderia ser Paisicnico. Segundo o autor seria um texto de carácter jurídico e não votivo, que relata que Anión, filho de Vello, toma posse de um campoe Paisicaico coloca o título ou inscrição de propriedade"


Para quem quiser ver o original vá ao respectivo site.


"A vida é a infância da imortalidade"

Johann Goethe


Wednesday, October 15, 2008



CASTROS II






Numa nova incursão pelos castros do Norte de Portugal e da Galiza, aconselho hoje uma visita ao Castro de Santa Tegra (o nome é galego; em português seria Santa Tecla). Situa-se na Guarda (em castelhano, La Guardia), na parte mais elevada de um morro, num local previlegiado dominando a foz do rio Minho e a fronteira natural com Portugal, como se pode ver na imagem junta. O acesso ao local é muito fácil, por estrada alcatroada e no cimo do monte existe um pequeno museu onde podemos admirar alguns achados arqueológicos do castro (das épocas do Paleolítico, Neolítico, Idade do Bronze, Cultura Castreja e Galaico Romana, sendo de salientar o remate de dois torques em ouro entre várias outras peças) e adquirir iconografia sobre o assunto.

"As paisagens insignificantes existem para os grandes paisagistas; as paisagens raras e notáveis são para os pequenos"
Friedrich Nietzsche

Monday, October 06, 2008




BARÃO DE SÃO GERALDO



A curiosidade sobre este título é que encontramos dois barões de São Geraldo, um de cada lado do Atlântico. Quanto ao título português, foi concedido pelo rei D. Carlos I, em 17-08-1899 a José Geraldo Rodrigues, nascido em Quintela, freguesia de Ventosa, concelho de Vouzela, em 07-01-1842. Foi um homem trabalhador, filho de pais pobres mas que pelo seu engenho e labor conseguiu granjear fortuna, trabalhando primeiro no Porto e depois no Brasil, durante mais de 30 anos. Ao regressar a Portugal fez sentir na sua terra natal a sua acção filantrópica. Faleceu na sua casa de Ventosa em 14-07-1907. Curiosamente, na Wikipédia encontramos uma referência a um barão de São Geraldo no Brasil, título concedido por D. Pedro II a Joaquim José Álvares dos Santos Silva. Não consegui mais nenhuma informação sobre este título brasileiro, ou se poderá haver alguma relação entre os dois até porque José Geraldo Rodrigues viveu largos anos no Brasil...


"A estirpe não transforma os indivíduos em nobres, mas os indivíduos dão nobreza à estirpe"
Dante Alighieri



Sunday, October 05, 2008


CASTROS I


Há tempos atrás falei de uma excelente publicação, infelizmente muito difícil de encontrar, denominada "Guia dos castros da Galiza e Noroeste de Portugal". É curioso como nós desconhecemos, por vezes aquilo que está tão perto de nós, como acontece por exemplo com o Castro de Monte Mozinho. Este castro situa-se no concelho de Penafiel e fica não muito longe daquela cidade que tem ligação ao Porto por auto-esstrada; significa isto que a cerca de meia-hora do Porto encontra-se um original castro, como a figura documenta, bem conservado e sinalizado, que merece uma visita por aqueles que se interessam pela proto-história de Portugal. Além disso e ao contrário do que acontece em outros locais históricos existe uma ampla área de estacionamento, facilitando a visita aos forasteiros. Vale a pena visitar o Castro de Monte Mozinho ou Cidade Morta de Penafiel...

"Para suportar a sua própria história, cada um acrescenta-lhe um pouco de lenda"
Marcel Jouhandeau

Monday, September 29, 2008



OUVIDO ÚNICO





Quando falamos de ouvido único, geralmente referimo-nos a qualquer condição patológica em que um dos ouvidos deixou de funcionar, com os inconvenientes daí resultantes como a falta de esteriofonia e de capacidade de localização dos sons. Mas aqui queria fazer referência ao único ser vivo conhecido que tem apenas um ouvido, que se localiza no torax, o que também é único. Localiza-se mais propriamente na linha média ventral do metatorax, compreendendo uma câmara auditiva, dois tímpanos e quatro órgãos sensoriais; a sua sensibilidade auditiva ultrapassa frequências superiores a 20.000 Hz ou seja uma audição ultrasónica. Este ouvido está sintonizado para frequências de 25-60 KHz com limiares de 55-60 dB que é o alcance da ecolocação dos morcegos o que suporta a evidência que os louva-a-deus usam a sua audição como uma defesa contra os predadores.

"Alguns ouvem com as orelhas, outros com o estômago, outros com o bolso e alguns, simplesmente, não ouvem"
Khalil Gibran

Saturday, September 27, 2008


NÉMESIS II




Não era da némesis copépode que eu estava a pensar, antes de olhar para o dicionário, mas da verdadeira Némesis, deusa grega da ética. Nêmesis representa a força encarregada de abater toda a desmesura (Hibrys), como o excesso de felicidade de um mortal, ou o orgulho. Essa é uma concepção fundamental do espírito helênico: "Tudo que se eleva acima da sua condição, tanto no bem quanto no mal, expõe-se a represálias dos deuses. Tende, com efeito, a subverter a ordem do mundo, a pôr em perigo o equilibrio universal e, por isso, tem de ser castigado, se se pretende que o universo se mantenha como é". Nêmesis é também chamada "a inevitável". Actualmente, o termo némesis é usado para descrever o pior inimigo de uma pessoa, normalmente alguém ou algo que é exatamente o oposto de si mas que é, também, de algum modo muito semelhante a si. Por exemplo, o Professor Moriarty é frequentemente descrito como a némesis de Sherlock Holmes. É algo como o seu arqui-inimigo, algo que o anula, mas nutre-lhe um grande respeito e admiração. Considerada também por alguns como deusa da vingança ou como a personificação da indignação moral. Como exemplo da acção de Némesis, temos a história de Narciso, que era o belo filho do rio Cephissus e da ninfa Liriope e era tal a sua beleza que as mulheres olhavam uma vez para ele e logo se apaixonavam; o vão Narciso só tinha olhos para si próprio e rejeitava todos os admiradores. Némesis condenou então Narciso a passar o resto da sua vida admirando o seu reflexo nas águas de uma piscina e eventualmente Narciso morreu e foi transformado na flor que tem o seu nome. Também chamada Andrasteia ou Rhamnusia, devido ao seu santuário em Rhamnus na Ática, onde era a defensora das relíquias e memórias dos mortos, do insulto e da injúria; na mitologia grega é o espírito da retribuição divina e da fé vingativa, personificad por alguns por uma deusa sem remorsos.


"Não há maior vingança do que o esquecimento"
Baltasar Gracián y Morales


NÉMESIS







Némesis, s. f. Zool. Género de crustáceos copépodes da família dos Diquelestiídeos. É esta a definição no Grande Dicionário da Língua Portuguesa (1981). Mas o que são afinal os copépodes: são nem mais nem menos o grupo de organismos pluricelulares mais abundante no planeta, superando em número de indivíduos até os insectos; podem formar agregações com densidades superiores há 11000 indivíduos por litro; possuem de 1 a 5 mm de comprimento e um olho naupliano mediano típico na maioria (seja lá o que isto for).



"Mesmo quando eu estava em multidão, eu estava sempre sozinho"
Ernest Hemingway

Friday, September 19, 2008



RELÓGIO DE SOL





Conforme podemos ler na Wikipedia "Um relógio de sol mede a passagem do tempo pela observação da posição do Sol. Os tipos mais comuns, como os conhecidos "relógios de sol de jardim", são formados por uma superfície plana que serve como mostrador, onde estão marcadas linhas que indicam as horas, e por um pino ou placa, cuja sombra projetada sobre o mostrador funciona como um ponteiro de horas em um relógio comum. A medida que a posição do sol varia, a sombra desloca-se pela superfície do mostrador, passando sucessivamente pelas linhas que indicam as horas." O gnómon é a parte principal do Relógio de Sol que serve como ponteiro e possibilita a projecção da sombra e terá tido origem na antiga babilónia.


Apesar de ser um objecto actualmente pouco utilizado existem bastantes exemplares em Portugal, de que deixo aqui um exemplo ilustrativo e um site interessante sobre o assunto (http://www.cienciaviva.pt/rede/himalaya/home/guia5.pdf)

"O tempo é a imagem móvel da eternidade imóvel"
Platão

Sunday, September 14, 2008


PASSION FRUIT


Sempre me intrigou um pouco a origem deste nome, que também é dado ao maracujá. Passiflora edulis / P. edulis flavicarpa da família das Passifloraceae. Será pelo nome - passiflora / passion fruit? Não me parece. Então porque será? Vamos às propriedades medicinais: o sumo, mas especialmente as folhas contêm alcalóides que baixam a pressão arterial e têm ação sedativa e antiespasmódica. A flor é um sedativo e ajuda a induzir o sono; tem também sido utilizada no tratyamento da asma, insónia, problemas gastrointestinais, problemas da menopausa e até mesmo como alucinogénio. Os seus carotenóides e flavinóides podem ter também um efeito anticancerígeno. Com a chegada dos europeus à América do Sul o maracujá foi introduzido na Europa e as suas folhas foram utilizadas medicamente pelo seu efeito sedativo. O nome de Passio Fruit foi dado pelos missionários católicos da América do Sul, o que eu pessoalmente acho um pouco estranho porque esses missionários seriam portugueses ou espanhóis... A corona da flor seria vista como a coroa de espinhos, as cinco stamina como as cinco feridas de Cristo, as cinco pétalas e as cinco sépalas como os dez apóstolos (excluindo Judas e Pedro); e os três estigmas como os nós na cruz. Desenganem-se pois aqueles que quereriam achar uma outra dimensão da fruta da paixão; para esses deixo-lhes a letra de Passion dos Passion Fruit:

"P.A.S.S.I.O.N.Yes, we do the best we can P.A.S.S.I.O.N.That means passion, man El bacho, el bachoSo give me the bassQue pasa, que pasaWe will rock your placeGet busy, get busySo, give me the bassMe besa me besaLipstick on your face Venga con migoOla ola amigoUhu caballeroOla ola te quiero P.A.S.S.I.O.N.Yes, we do the best we can P.A.S.S.I.O.N.That means passion, man (2x) "


"Quando a paixão entra pela porta principal, a sensatez foge pela porta dos fundos"

Thomas Fuller

Saturday, September 06, 2008


ÍRIS


Íris, Zool. Género de insectos ortópteros, cursórios, da família dos mantídeos, representado na fauna de Portugal, vulgarmente conhecido pelo nome de louva-a-deus. O louva-a-deus, cientificamente chamado Paratenodera aridifolia, é um animal deveras curioso e desde logo no nome, que lhe advém de ser um predador paciente que geralmente passa horas à espera de uma vítima, unindo as patas dianteiras, como se estivesse a rezar. Vou enumerar algumas dessas curiosidades deveras curiosas:


Talvez por estas curiosidades, O Grande Dicionário da Língua Portuguesa, termine a sua referência ao louva-a-deus // Obs. Não se justifica o uso dete vocábulo no género feminino.


"Atiramos o passado ao abismo, mas não nos inclinamos para ver se está bem morto"


William Shakespeare



ARCO-ÍRIS


Íris, s. m. (do gr. iris, pelo lat. iris. O espectro solar // Meteoro atmosférico em forma de arco que oferece cores variadas, e que está sempre colocado no lado oposto do sol.; vulgarmente arco-da-velha. Fig. paz, alegria, promessa de felicidade. (Grande Dicionário da Língua Portuguesa, 1981)

"O nome desfigura as coisas"

Teixeira de Pascoaes

Tuesday, September 02, 2008


St. CROIX DE LA TRAPPE


Estava eu no meu descanso estival, na região de Lafões, e após um passeio junto ao rio Vouga e ao rio Teixeira, chego ao fim da tarde, de um dia de calor a Santa Cruz da Trapa, com o objectivo de refrescar o corpo depois de ter refrescado o espírito. Chegado ao largo principal, sento-me numa esplanada, admirando aquele fim de tarde. Havia qualquer coisa que não me estava a soar bem, qualquer coisa deslocada no espaço ou no tempo, que inicialmente não consegui perceber: algo estava fora do tempo...

Percebi então que todos à minha volta, os que estavam, os que vinham, os que iam, os que passavam, todos falavam uma língua estranha: só se ouvia falar francês. Era estranho, numa vila no coração de Portugal ouvir falar uma língua estranha e isso fez-me recuar no tempo 100 ou 150 anos, numa altura em que porventura também se ouviam outros sons, mas sons portugueses com sotaque brasileiro, como facilmente podemos empreender pelo grande conjunto de casas com "sotaque" que aquela vila apresenta. Voltei ao século XXI e entro no estabelecimento para saber o que poderia comer e diz-me a empregada, esta sim em português de Portugal: quer uma fatia de pizza americana acabada de sair do forno...

Friday, June 20, 2008



SURUCUCU





s.f. (do tupi). Zool. Serpente venenosíssima, a mais temível das serpentes brasileiras, que chega a atingir 2,50 m e se distingue das espécies congéneres por ter as escamas do corpo elevadas no meio (também se chama surucucutinga).
A partir do veneno da surucucu foi detectado um poderoso anticoagulante e também anti-tumoral e estão actualmente a decorrer pesquisas para a fabricação de um novo medicamento para combater o cancro.
Símbolo da medicina e da cura. Sinónimo de pavor para muitos. A maior cobra venenosa das Américas é também a grande protectora das plantações de cacau.
Excelente vídeo em:

"O caminho que desce e o caminho que sobe são os mesmos"
Heráclito

Monday, June 16, 2008


ALMINHAS


As Alminhas fazem parte do património artístico-religioso do nosso país. São pequenos altares de culto aos mortos onde se pára um momento para deixar uma oração, sendo um dos vestígios mais importantes da arte popular religiosa de Portugal. É frequente encontrar velas e lamparina acesas, deixadas pelas pessoas que passam no local, ou mesmo flores.

Não se sabe exactamente qual é a sua origem, mas crê-se que tenha a ver com a busca de ajuda divina nos caminhos e encruzilhadas, culto que já vem dos celtas, gregos e romanos, todos eles povos que prestaram culto a este tipo de divindades; mas as alminhas acrescentam mais qualquer coisa, pedem a oração dos que por elas passam, em favor das almas do Purgatório, sendo as primeiras representações artísticas do purgatório e que persistiram até aos nossos dias.
Geralmente, as alminhas são erguidas em encruzilhadas de caminhos (local de reunião de entes sobrenaturais...), quase sempre em caminhos rurais, em matas ou perto de cursos de água, embora também se possa encontrar alminhas junto às estradas nacionais. As alminhas também podem ser incrustadas em velhos muros ou na frontaria de casas e podem ser construídas nos mais diversos materiais.

O seu elemento principal é o painel de retábulo, pintado sobre madeira, estuque, tela, folha metálica ou azulejo, representando os condenados a arder nas labaredas do Purgatório, implorando a misericórdia divina e daqueles que por elas passam.



"Todas as almas são igualmente perfeitas"
Teixeira de Pascoaes

FASCENINAS


Fasceninas, s. f. pl. - composições poéticas ou dramáticas grosseiras e licenciosas, usadas em Fescénia e depois introduzidas em Roma. (Do lat. fescenina, "poesias fesceninas"). Retirado do Dicionário de Língua Portuguesa da Porto Editora.

A palavra fescenina teve origem na cidade de Fescénia, na Etrúria de onde provieram poesias impregnadas de licenciosidade ou obscenidade e passaram a ser utilizadas nas bodas romanas..

Alguns exemplos de poetas fesceninos são o português Manuel Maria Barbosa Du Bocage ou os brasileiro Gregório de Mattos e Guerra e Bernardo Guimarães.

A imagem junta é da autoria do arquiteto e artista plástico húngaro Géza Heller (1902-1992) que ilustra o recentemente publicado livro de poesia fescenina "AS MULHERES GOZAM PELO OUVIDO", de Sylvio Back, cineasta-poeta brasileiro.


"O fim da arte é quase divino: ressuscitar, se faz história; criar, se faz poesia"
Victor Hugo

Wednesday, June 11, 2008



D. BEBIANO I





Quem diria, um Bebiano Imperador do Brasil.




"Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bebiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga, segundo imperador do Brasil, nasceu no Rio de Janeiro em 2 de dezembro de 1825. Assumiu o trono em 18 de julho de 1841, aos 15 anos de idade, sob a tutela de José Bonifácio e depois do Marquês de Itanhaém.
Em 1843, casou-se como a princesa napolitana Tereza Cristina Maria de Bourbon, com quem teve quatro filhos, dos quais sobreviveram as princesas Isabel e Leopoldina."

"A história é a caixa forte da memória"
Carlo Dossi

Saturday, June 07, 2008


SIMÃO RODRIGUES DE AZEVEDO

Recupero este texto de 1996, que redigi em memória de um IlustreVouzelense, talvez um pouco esquecido na actualidade e que introduziu em Portugal a Companhia de Jesus, que ainda hoje tem um papel importante na nossa sociedade fundamentalmente com o seu papel missionário e acima de tudo educacional, apesar das perseguições de que foram vítimas ao longo dos séculos desde a sua fundação em 1534.


Fundador da Companhia de Jesus e seu introdutor em Portugal, primeiro jesuíta português, introduziu a Ordem em Portugal com bases sólidas, lançando ao mesmo tempo a missão ultramarina.
Nasceu em Vouzela em 1510 e era filho de Gil Gonçalves de Azevedo Cabral e de D. Helena de Azevedo, nobre família.
Em 1527, com 17 anos de idade foi para Paris para a Universidade como bolseiro d'El-Rei, começando por se matricular no Colégio de Santa Bárbara, com seu irmão Sebastião, dedicando-se ao estudo de Humanidades ou Artes, sendo nessa altura Reitor da Universidade de Paris o português André de Gouveia. Matriculou-se na Faculdade de Artes em 1532 e licenciou-se em 1536, tendo-se dedicado então ao estudo da Filosofia e Teologia.
Em 1529, Inácio de Loyola chega ao Colégio de Santa Bárbara e começa a reunir um grupo de amigos que viria a estabelecer os alicerces da Companhia de Jesus. No mesmo quarto habitavam Inácio de Loyola, Francisco Xavier, Pedro Fabro e Simão Rodrigues, embrião da Companhia de Jesus a que se juntaram Diogo Laínez, Afonso Salméron e Nicolau Bobadilla.
Os sete deixaram Paris em 1537, dirigindo-se para Veneza, onde se lhes juntaram Cláudio de Jay, Pascácio Broet e João Codure, que vinham a perfazer o Grupo dos Dez.
A ida para Veneza, em 25/01/1537 prendia-se com a vontade de demandar a Terra Santa, pois era dali que partiam os barcos. Como se não conseguissem os seus intentos foram para Roma em 16/03/1537, onde se puseram às ordens do Papa para que os enviasse às missões que julgasse ser do maior serviço divino.
O encontro com o Papa deu-se no Castel Sant'Angelo, e este, agradado com os ideais de vida e missão do Grupo, satisfez favoravelmente os seus pedidos: a bênção de Paulo III, a licença para peregrinarem à Terra Santa e a autorização para receberem as ordens sagradas das mãos de qualquer bispo, mesmo fora dos tempos costumados, além de lhes dar 260 ducados para a viagem.
Voltam então para Veneza para empreender a viagem. Em 24 de Junho de 1537, recebeu Simão, juntamente com os seus amigos o sacerdócio, continuando a esperar a viagem, que não se realizou, pelo estado de guerra de Veneza com os Turcos.
No dia 15 de Abril de 1539, é fundada a Companhia de Jesus, em Roma.
Em 23 de Agosto de 1539 chega a Roma uma carta de D. João III, interessado e muito empenhado na presença e instalação da Companhia de Jesus em Portugal, o que levou Inácio de Loyola a referir-se-lhe como o "pai da Companhia de Jesus", pois foi de Lisboa que partiram Manuel da Nóbrega, Anchieta, João de Brito e tantos outros que haveriam de levar o Evangelho aos quatro cantos do mundo.
A 17/4/1540 chega Simão a Lisboa e logo se encontra com D. João III, Rei de Portugal, "o primeiro e maior benfeitor, não só da Província portuguesa, mas ainda de toda a Companhia". Pouco depois chega também Francisco Xavier.
Em Lisboa, os dois jesuítas, Simão e Francisco Xavier eram admirados e venerados por todos ao ponto de Simão Rodrigues escrever a Inácio de Loyola em Junho de 1540, que muitos "pensam que beijando nossas roupas beijam relíquias de Santos". O ideal da Índia mantinha-se vivo nos seus corações, lembrando-se que o fundamento que os fez sair de Roma com o mandato de Sua Santidade foi levar o nome do Senhor perante os reis e pregá-lO àqueles que O não conhecem.
A 3 de Abril de 1541 parte Xavier para a Índia na armada sob o comando do novo vice-rei D. Martim Afonso de Sousa. Simão ficou, mas sempre com projectos de missionação futura em paragens distantes.
Ao ficar em Portugal, a sua vocação missionária e de acção, levou a que o fundador da Província portuguesa desenvolvesse um trabalho fundamental e decisivo na implantação e consolidação da Companhia de Jesus no nosso país.
O primeiro colégio dos jesuítas em Portugal foi fundado por Simão Rodrigues em Lisboa, em Santo-Antão e desde o início gozou do maior prestígio.
Em Coimbra é também fundado um colégio junto à Universidade, Colégio do Nome de Jesus, com os bons ofícios do rei D. João III.
É por intermédio de Simão Rodrigues, aproveitando o acontecimento que viria a ser o casamento da infanta D. Maria com Filipe II de Espanha, que se dá a introdução da Companhia de Jesus em Espanha, com o seu amigo Pedro Fabro a que se juntaram muitos jesuítas jovens formados no colégio de Coimbra.
Em 1551 é fundado o colégio dos jesuítas em Évora, embrião da Universidade que é inaugurada em 1559.
Simão sempre alimentou o desejo de ajudar a difundir a Fé no Novo Mundo, mas como diz P. Baltazar Teles na sua "História da Companhia de Jesus nos reinos de Portugal", " conhecendo já o P. Simão que os gravíssimos negócios desta Província de Portugal não lhe davam lugar para cumular os seus grandes desejos de missão no Brasil, resolveu chamar a Coimbra o P. Nóbrega para mandá-lo ao Brasil em seu lugar".
Assim Simão ajudou a espalhar a Fé e a língua portuguesa em todo o mundo até então conhecido e encarregou-se pessoalmente da organização e implantação da Companhia em todo o país, não havendo "parte alguma do mundo, onde tanto prosperasse naqueles primeiros tempos", como escreve Inácio de Loyola em 1551.
Imcompreensões várias e invejas muitas pressionam Inácio de Loyola a libertar Simão do cargo de provincial de Portugal, e assim, no dia 1 de Janeiro de 1552, Simão Rodrigues é constituído provincial dos reinos de Aragão, de Valência e da Catalunha. Em relação à perda que a Província portuguesa sofreu, escreve Francisco de Borja em 1552: "parece que é tirar os fundamentos do edifício pra em breves dias destruir o edificado".
Em Junho de 1553 inicia um exílio de 20 anos em Roma, para onde foi desencantado pelo rumo que a Província portuguesa estava a tomar e mandado por Diogo Mirão, então provincial, a quem Inácio conferiu poder de decidir o futuro de Simão. Aí, Simão foi julgado pelos seus, com base em calúnias e invejas várias, agravadas com o actual desgoverno da Província portuguesa, tendo sido condenado a não mais voltar a Portugal. Pode-se compreender o desânimo e o desgosto sentidos pelo Mestre, mas a sua dedicação à Companhia fizeram-no acatar com "alegria" esta decisão.
Em 1554 consegue alcançar um dos seus sonhos que é visitar a Terra Santa em peregrinação. No seu longo exílio, passou Simão por Veneza, Pádua, Bassano e Génova onde foi superintendente do colégio da Companhia.
Em 1564, Diogo Laínez, então Geral da Companhia, providenciou a sua ida para Espanha, tendo passado por Córdova, Toledo e Múrcia.
Após 20 anos de ausência de Simão da Província portuguesa, esta continuava desgovernada e é assim que em 1573 o P. Everardo Mercuriano, novo Geral da Companhia, compreende o erro cometido anos antes e "ordenou" a Simão Rodrigues que regressasse a Portugal para pacificar a Província.
A Província voltou a prosperar e continuou a sua consolidação e Simão pôde ficar enfim em paz.
Em 1577 termina a sua notável obra "De origine e progressu Societatis Iesu".
A 15 de Julho de 1579, morre em Lisboa , na Casa de S. Roque, onde viveu os últimos anos da sua vida.


"A mim vos digo, me parecem uns Apóstolos"
D. JoãoIII