Monday, December 03, 2007




Depois de ter ontem iniciado a publicação do meu bloco de crónicas Da minha janela, junto hoje mais uma história portuguesa.




DA MINHA JANELA III

Delicadezas de boca

Neste período do final de um ano e início do seguinte é costume as pessoas juntarem-se e festejarem das mais variadas formas.
O ano passado sucedeu-me uma coisa curiosa que foi o saborear a requintada e inspiradora cuisine de degustação, moda que se tem apossado de uma cada vez maior quantidade de restaurantes portugueses. Nestes programas de degustação, encontramos normalmente pratos excepcionais e esquisitos (como diriam os nossos amigos espanhóis), confeccionados e elaborados por um Chef famoso e cuja escolha dos ingredientes visa transformar a dita refeição numa experiência gastronómica realmente inesquecível.
Mas o que quer dizer afinal degustação? O Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa de José Pedro Machado de 1987 diz que vem do francês, dégustation, relacionado com o verbo déguster e este do latim degustāre e que significa: provar, apreciar, saborear. Já o Grande Dicionário da Língua Portuguesa também com coordenação de José Pedro Machado de 1981, fala assim de degustar: apreciar com atenção ou prazer especial o gosto de, para lhe avaliar as qualidades; provar; saborear. Falam os entendidos, que se trata de cozinha francesa com um toque português, seja lá o que isso for.
Ora eu compreendo que se faça uma degustação de vinhos ou até de vinhos e queijos ou mesmo de azeite e pão, agora um menu completo de degustação, especialmente quando isto nos acontece dois dias seguidos, em terras de Viriato desde a Serra da Gralheira até à própria Serra da Estrela, terras da vitela, do cabrito, dos rojões, do leite-creme e dos pastéis de Vouzela, acho demais!
Mas foi isso mesmo que me aconteceu, o que significa que em apenas duas refeições (de degustação) estive sentado, seis horas á mesa. Isto é bom, por exemplo, para as pessoas conversarem, mas para isso acontecer não é preciso estarmos tanto tempo à espera de tantos pratos que, de tão grandes, quase não se lhes vê o conteúdo. Por outro lado tem também alguns inconvenientes e desde logo, se estivermos com crianças as coisas tornam-se muito complicadas para elas, apesar da grande vantagem que têm em relação aos adultos no que diz respeito à refeição pois os seus menus não são de degustação, são de comida (que inveja que eu tive daquele prato das crianças com um fantástico bife de lombo grelhado com arroz branco enquanto eu me “banqueteava” com um faisão com fois-gras, gratinado de batata, pêra e redução de Porto)!
Uma coisa engraçada que podem ter estes menus de degustação é o chamado Amis-bouche ou Amuse bouche e eu tive oportunidade de experimentar nesta categoria, um creme de ervilhas com tártaro de bacalhau; mas o que são estas antes-da-entrada que eu traduzirei livremente por delicadezas de boca? Provavelmente são para nos deixar com água-na-boca e não é que deixam mesmo; neste caso particular, o creme de ervilhas ocupava apenas parte daquilo que poderia ser uma chávena de café e o tártaro de bacalhau tinha cerca de 0,5 centímetros quadrados… Foi como se nos servissem uma tapa no meio de uma travessa!
Mas há um pequeno e direi eu, não negligenciável inconveniente nestas tapas servidas em travessas; é que na degustação é suposto envolvermos os nossos sentidos da visão, do gosto e especialmente do olfacto e é aqui que a porca torce o rabo porque a quantidade de comida que nos é apresentada, apesar do seu aspecto visual e do gosto requintado, não nos permite estimular convenientemente o olfacto ‚ o sentido principal da degustação. Isto acontece porque grande parte do que gostamos, na realidade, simplesmente o cheiramos e aqui não temos hipótese de cheirar grande coisa. O olfacto é um sentido de alerta e, também, de imenso prazer. Trata-se de um sentido muito fino: a sensibilidade olfactiva é dez mil vezes superior à do gosto, mas como no ser humano este sentido perdeu ao longo da evolução da espécie algumas qualidades quando comparado com outros animais é preciso uma maior quantidade de estímulo para se obter o mesmo prazer, no que à comida diz respeito.
Não acabemos com o prazer da nossa cozinha portuguesa!
Por isso, não nos deixemos afrancesar e travemos esta terceira invasão francesa em forma de culinária minimalista.
Vivam a vitela, o cabrito, os rojões, o leite-creme e os pastéis de Vouzela!

Sunday, December 02, 2007


DA MINHA JANELA II

O traço de Siza, a mão de Deus!
Parte II: A casa de Deus é a casa dos homens!

No Domingo fui ao Marco! (continuação)
Depois de chegar e encontrar, afinal sem grandes dificuldades, a Igreja de Santa Maria, juntou-se o grupo para o repasto que haveria de preparar a visita tão aguardada.
Lá nos dirigimos nós para O Plátano, onde nos esperava um bacalhau e umas postas de vitela, regadas com o verde tinto da região ou com um Douro, mais autêntico, para quem o desejasse. Durante o almoço foram-se lançando algumas interrogações sobre aquela Igreja tão peculiar, que estávamos prestes a conhecer, tendo como pano de fundo a mensagem e as ideias de Teixeira de Pascoaes, um homem do Marão que, entre outros pensamentos disse “a morte é a pessoa feminina de Deus” ou “existir não é pensar: é ser lembrado”… E foi com os pensamentos de Pascoaes que, terminado o lauto repasto, nos dirigimos para a Igreja de Santa Maria., sob o sol escaldante de um domingo de Abril.
Ao chegar junto à Igreja, juntámo-nos à sua sombra, no jardim que está separado por duas colunas, do átrio que dá acesso à casa mortuária, que fica na continuação do mesmo jardim e do corpo da Igreja, desde logo em harmonia. Como a Igreja só abria às três horas e eram só duas e meia, por ali começámos a nossa visita. O jardim está dividido por um caminho empedrado, em duas partes: uma arranjada, bonita e organizada e outra parecendo um matagal; logo aqui vemos a divisão entre a ordem e o caos, levando esse caminho ao claustro, pátio interior que se atinge ultrapassando simbolicamente duas colunas rectangulares e depois duas colunas redondas. Ali chegados, a cota muito mais baixa do que o edifício da Igreja cria a sensação de estarmos num subterrâneo, num lugar de mistério, inspirando à meditação e recolhimento, que é acentuado pela frescura e pelo murmúrio da água que cai, mesmo em frente ao óculo do espaço do velório, para um pequeno lago. Outro elemento nos chama também a atenção, apontando ao alto, subindo com o edifício e a escada que conduz à entrada superior e parecendo puxar a terra para o céu ao mesmo tempo que atrai o céu para a terra: o cipreste!
Estávamos nós a apreciar as doutas explicações do nosso guia quando, um dos elementos do nosso grupo, que se havia afastado um pouco, regressa com um grupo de jovens de aspecto estrangeiro e que se começaram a juntar a nós:
- Olha, vais ter que dizer também qualquer coisa em inglês, pois estes rapazes são estudantes de arquitectura de Budapeste, na Hungria e acabaram de fazer 3.000 quilómetros para te ouvir falar, ou melhor para ver a Igreja falar! Nessa altura um casal de espanhóis também já se tinha juntado ao grupo e ia ouvindo Siza falar pela boca do Pedro (o nosso douto e letrado guia).
Entretanto já tinha passado meia hora e fomo-nos então dirigindo para a entrada da Igreja, subindo as escadas exteriores, acompanhados pelo cipreste e depois contornando a sua fachada noroeste, onde se destacam os enormes janelões superiores, cinco, dos quais apenas três (como vimos mais tarde) têm abertura para o interior.
Eis-nos chegados à fachada principal da Igreja, onde se destaca a enorme porta, alta, nobre, com um enorme peso na fachada do edifício. Transposta esta, entramos no lugar que Deus habita e deparamo-nos com a tranquilidade, a ordem e a luz, luz à altura do olhar e à altura da alma, como tão bem o soube ver e escrever o Padre Nuno Higino sobre a “sua” Igreja. É uma Igreja despojada de adereços supérfluos, onde cada coisa está no seu sítio duma forma natural, no seguimento das recomendações do Concílio Vaticano II, com o traço de Siza (seguramente) pela mão de Deus.
Na parede à direita da nave destaca-se uma longa fresta horizontal, à altura do homem, virada para a cidade e para as montanhas ao longe, fazendo a ligação com o mundo material. À sua frente encontra-se a parede curva, onde se abrem em cima os três janelões, que entrevíamos de fora, com uma escala menos humana e remetendo para o alto, para o transcendente.
Chegados ao presbitério, este encontra-se três degraus acima da nave, numa relação muito estreita e comunicante.
Haveria muito mais para contar e lembrar da Igreja de Santa Maria, mas vou apenas falar de dois elementos fundamentais no conjunto: a imagem de Nossa Senhora e a cruz. A Nossa Senhora está colocada do lado direito no primeiro degrau entre a nave e o presbitério e virada para a cruz que se encontra ao fundo, do lado direito do altar. A colocação de Nossa Senhora no primeiro degrau não foi ao acaso (nada ali parece ter sido deixado ao acaso, pois como disse Siza: “com o sagrado não se brinca”), pois assim encontra-se ao lado dos homens, mas elevada a uma particular dignidade.
Finalmente a cruz, que não encontrámos lá fora, tem a forma de um tau grego, colocada lateralmente, voltada para o altar e para a Mãe, mais ao longe, tornando o altar o centro do espaço. A cruz de quatro metros de altura, dignamente revestida a ouro, não apresenta o Cristo de uma forma óbvia, mas quando olhamos para ela parece-nos vê-Lo lá…
O tempo vai passando sem que demos por isso e a Igreja começa a encher-se de gente de todo o mundo para ver a obra de Álvaro Siza com certeza, mas saímos daqui, com a perfeita noção de que em cada traço de Siza estava a mão de Deus!

" Existir não é pensar: é ser lembrado."
Teixeira de Pascoaes

DA MINHA JANELA

O traço de Siza, a mão de Deus!
Parte I: O mamarracho!

No Domingo fui ao Marco!
O Marco de Canavezes é uma pequena e simpática cidade espreguiçada à volta do rio Tâmega, abraçando com o olhar a serra da Marão… ao longe! Pois, este domingo fui ao Marco e a pergunta lógica que inevitavelmente se segue, será: o que fui eu fazer ao Marco? Eu próprio, há umas semanas atrás, se me dissessem que ia ao Marco não iria acreditar, pois não me lembrava de nada que me pudesse fazer ir a uma terra que até então não me dizia nada. Mas o certo é que fui desafiado para integrar um pequeno grupo que estava a preparar uma visita guiada à Igreja de Santa Maria, para aquele domingo. Não podia recusar aquele convite pelos argumentos que se me apresentavam: primeiro é uma das obras emblemáticas do renomado (mais no estrangeiro que na própria pátria) arquitecto Álvaro Siza Vieira, galardoado em 1992 com o prémio Pritzker (o Nobel da arquitectura) e com a qual (igreja) ganhou um prémio internacional onde também concorria, pasme-se, o museu Guggenheim de Bilbau! A segunda razão era a curiosidade de ver como um assumido ateu tinha desenhado uma igreja, hoje, mundialmente famosa; em terceiro lugar porque eu próprio não era um adepto fervoroso de Álvaro Siza e a ideia que tinha daquela igreja, era a de um verdadeiro “mamarracho”; e por último porque, como em qualquer bom roteiro cultural, estava incluída a vertente gastronómica, com um almoço no restaurante típico O Plátano, do Marco.
Juntados todos os ingredientes, lá me fui preparando mentalmente para a visita; alguns dias antes, ao passar no meu local de trabalho por um senhor que eu sabia que era do Marco, disse-lhe:
- Ó Miguel, sabe onde é que eu vou no domingo? Vou à sua terra, disse – sem esperar pela resposta, que surgiu em forma de pergunta.
- Mas que raio é que o doutor vai fazer ao Marco? – Retorquiu admirado.
- Veja lá, vou visitar a igreja do Siza…
Sem me deixar continuar, atirou:
- Ó doutor, aquilo é um mamarracho que para ali está, não tem nada para ver.
- Deixe estar Miguel, a visita também inclui um almoço e parece que a ementa não é nada má, por isso, pelo menos salva-se a comida.
Sem me responder, continuou, ainda a pensar que raio iria fazer ao Marco, ainda por cima quando se previa um dia de grande calor para domingo.
E assim foi, aquele domingo nasceu quente e o calor aumentava conforme nos íamos afastando da costa cálida e nos embrenhávamos no interior do distrito do Porto. Chegando ao Marco, surgiu a interrogação:
- Como é que damos com a igreja?
- O melhor é perguntar a alguém!
- Não vale a pena, há-de haver alguma indicação…
E realmente, ao circundarmos a primeira rotunda após a bonita travessia do rio Tâmega, lá vimos uma tabuleta estilizada onde se lia Igreja de Santa Maria.
- Estás a ver, é fácil!
- Vamos ver…
E continuámos a andar até chegar a nova rotunda numa zona mais central da cidade, mas aí já não havia tabuleta. Vimos então uma série de pessoas que vinham aparentemente todas do mesmo sítio, vestidas de modo formal, apesar do dia quente, quase de Verão e pensámos ao mesmo tempo: a esta hora, num domingo, toda esta gente…devem vir da missa, logo, a igreja deve ser por aqui! Foi então que ouvimos chamar:
- Venham, é aqui em cima!
Quem nos chamava era alguém do nosso grupo, que nos tinha reconhecido e apontava, triunfal para um edifício todo branco, quase liso e quase sem janelas que se encontrava atrás dele e para o qual já tínhamos olhado, sem ver que o que estava ali era… a Igreja de Santa Maria!
E lá nos fomos dirigindo para junto daquele edifício aparentemente frio, austero, grave, rude, sem ornatos e que nada se parecia com a ideia de igreja que todos nós tínhamos interiorizada.
- Vamos almoçar, já estamos todos; a visita à igreja começa às duas e meia, agora é tempo de alimentar o estômago, para depois melhor iluminar a alma! – Ouvimos alguém dizer, e que nos retirou das ideias sombrias que nos percorriam ao olhar para aquela que diziam ser umas das grandes obras de Álvaro Siza.
E lá nos dirigimos para o restaurante, sem saber o que nos esperava daí a pouco mais de uma hora, quando o traço de Siza se mostrou aos nossos olhos iluminado pela mão de Deus!
Mas essa revelação fica para um próximo olhar Da minha Janela…

Sunday, July 08, 2007




EURO 2008


No próximo ano vai realizar-se o campeonato europeu de futebol, na Áustria e na Suiça e além dos tradicionais outdoors que já existem em ambos os países descobri que também há publicidade indoor, mais precisamente no WC; uma ideia genial de que junto uma fotografia para os mais incrédulos. Isto aconteceu em Graz, que é a segunda cidade da Áustria e capital do estado da Estíria, localizada a 200 km sudoeste de Viena. É banhada pelo rio Mur, ao lado do qual se encontra o extraterrestre, até agora uma das atrações da cidade, mas agora ultrapassada pelo urinol futebolístico. É também a cidade natal de Arnold Schwarzenegger que já deu nome ao estádio de futebol local, que desde 2006 se voltou a chamar Estádio Liebenau. Mas voltando ao urinol da bola e como legenda da fotografia que se anexa, convém referir o dinâmico da questão ou seja no objectivo de introduzir a bola na baliza durante a micção (serve também como teste da função prostática, podendo assim substituir, de forma lúdica o teste de PSA). Junto também uma pequena fotografia do ET, antiga atração turística de Graz.

Thursday, June 07, 2007








RELAMBÓRIO: Ao fim de alguns meses de retiro, talvez para não ser tentado, sabe-se lá com que resultados, a glosar com algumas notícias e declarações hilariantes dos nossos políticos, achei que devia voltar exactamente para falar do dito relambório: De má qualidade; reles; insípido; desengraçado ou: falatório; discurso fastidioso ou patuscada; bródio; pândega. Curiosamente, no dicionário, logo antes de relambório vem Relambóia: peta; mentira. Isto faz-nos pensar em Rambóia: pândega; estroinice; vida airada. E já agora Ramboiada: grande rambóia. E quem será o Ramboieiro?: aquele que anda na rambóia!

Já agora, também quero um computador portátil por €150.

Saturday, March 10, 2007


QUILHAR - Voltando ao vocabulário português e, baseando-me como sempre no Grande Dicionário da Língua Portuguesa de 1981, vou-me agora debruçar sobre uma palavra que, conforme a geografia do país tem significados ou sentidos bem diferentes. E é isso mesmo que eu constato no referido dicionário, pois existem quatro significados para quilhar que passo a compartilhar: 1. v. tr. Pôr ou assentar quilha em navio. 2. v. intr. Gír. Ter coito.// v. tr. Gír. Ter cópula carnal com. 3. v. tr. gír. Tramar alguém, pregar peça ou partida a alguém, lograr.//nv. r. Tramar-se, ficar logrado. 4. s. m. Prego de pregar as cavernas do navio. Como podemos ver é uma palavra de grande abrangência e cada um pode tomar do que quiser... A imagem que junto julgo que terá alguma coisa a ver com a ssunto!

Sunday, March 04, 2007


RABO: s.m. (do latim rapu-). Prolongamento da coluna vertebral dos quadrúpedes; cauda.// Grupo de penas no uropígio das aves.// Nos peixes, répteis, insectos e também em certos crustáceos, a extremidade do corpo que está oposta à cabeça.// O cabo do enxalavar.// A parte saliente por que se pega em qualquer utensílio ou instrumento; cabo.// Pleb. As nádegas. A palavra uropígio intriga-me, por isso vou-me tentar informar e surge-me: O UROPÍGIO: s.m. Apêndice triangular formado pela reunião das últimas vértebras e músculos correspondentes das aves e do qual saem as penas da cauda; sobrecu, sobre. . ou Glândula responsável pela produção de substância oleosa para impermeabilizar e dar elasticidade para as penas. Como não consigo encontrar uma imagem de um uropígio e gosto sempre de ilustrar os meus posts e como para os brasileiros uropígio pode ser curanchim, sobrecu ou mesmo BUMBUM: s.m. Som ou estrondo confuso e repetido. // som de zabumba.// informal, hipocorístico de bunda, diz-se de traseiro pequeno ou jovem. Acho que fica mesmo um bumbum. Até logo.

Após alguns tempos de recolhimento, volto a compartilhar algumas noções de português; e surgiu-me esta ideia estando eu a ver os campeonatos da europa de pista coberta de atletismo ali apareciam alguns atletas cuja raça era difícil de avaliar e veio-me à memória o termo MISCIGENAÇÃO: Procriação de indivíduos de raça mista, especialmente provindos do cruzamento de brancos e negros, mas não só, como se pode ver à saciedade na imagem que se junta.

Friday, January 12, 2007


Voltamos às aulas sobre algum do vocabulário português mais utilizado em situações de stress ou não tanto utilizado mas muito bem o poderia ser nessas mesmas situações. Surge-nos hoje então a palavra FLUXÃO: Afluxo de um líquido orgânico e particularmente do sangue ao ponto em que o chama qualquer causa de irritação. Temos também, numa versão mais moderna, o PONTO DE FLUXÃO: Temperatura mais baixa à qual um fluido ainda flúi quando arrefecido em determinadas condições. É um indicador da capacidade que um lubrificante ou um combustível petrolífero possuem de fluir a baixas temperaturas de operação. Ora, julgo que vale ainda a pena referir o FLUXÓMETRO: Aparelho para medir a velocidade de escoamento de líquidos (ver imagem). Espécie de galvanómetro para medir os fluxos magnéticos.Devemos todos meditar sobre estes termos!


PAISICAICO - O perfil


Divindade indígena
das Corgas Roçadas,
preces lusitanas
em pedras rasgadas.

Rasgadas por crentes,
feitos de temores,
que as almas libertam
bramindo clamores!

Traços, que o passado
devolve ao presente;
panteão castrejo
na terra fulgente!

Porto, 98/01/02

Sunday, January 07, 2007


O VINHO - Mito I (Ambliopia tóxica provocada pelo vinho) "O Dr. Lacat oftalmologista relata que a ambliopia tóxica tantas vezes encontrada na clínica resulta do vinho falsificado e não do uso do bom vinho natural. Acha disso a prova em serem os casos provenientes de pessoas que frequentam tabernas de categoria inferior, onde mais se pratica o vício de falsificar. Os raros burgueses que lhe apareceram atacados desse mal veio a saber que também entravam ou se abasteciam em fornecedores de bebida daquela ordem. Nos consumidores de bom vinhonunca encontrou aquela desagradável perturbação." J A Loureiro 1936 (continua)

O VINHO - Propriedades e Aplicações III (Diabetes) "Nesta doença que obriga a tão vasta exclusão de alimentos, o vinho apresenta vantagens que o recomendam, a ponto de ser lícito condensar o modo de utilizá-lo em fórmula sintética assim enunciada: o vinho é o pão dos diabéticos. Não é novo este modo de ver. Já em 1852 Bouchardat escrevia que "o vinho prepondera no regime da glicossuria e convenço-me de que prestei aos enfermos dêsse mal tamanho serviço suprimindo-lhes os feculentos, como substituindo-os pelo uso de bebidas alcoólicas". Sem dúvida que os conceitos patogénicos de Bouchardat não resistiram por completo à acção do tempo. Por isso não é ao vinho mas às gorduras que hoje vamos buscar a equivalência dos hidratos de carbone. A mudança não impede de manter no terreno prático o essencial da opinião daquele autor. Loeper escreve que "ninguém hoje contradiz o parecer de Bouchardat quando recomenda o vinho em dose regular como bom alimento para os diabéticos". Do mesmo modo se exprime During, de Hamburgo, muito seguido na Alemanha, em questões de diabetes; recomenda o vinho tinto em dose moderada. Outrotanto faz Benedict. E Labbé recomenda dar-se alcool sob a forma de vinho, ou aguardente. As vantagens do vinho nesta doença resultam da necessidade de constituir um regime de valor calórico elevado, sem recorrer aos hidratos de carbono e moderando o emprego das proteínas que não devem aplicar-se descricionariamente. Tais restrições não podem contrabalançar-se apenas com gorduras; seria imprudente abusar de substâncias dessa ordem. Só o vinho satisfaz este programa porque supre qualquer exigência metabólica sem agravar os desvios matabólicos fundamentais que constituem a base da doença. Vê-se pois que o vinho tem aplicação na diabetes em todas as oportunidades." J A Loureiro 1936 (continua)

Saturday, December 09, 2006


O VINHO - Propriedades e Aplicações II (Profilaxia do alcoolismo pelo vinho)
"Reconheceremos que não pode evitar-se, porque não existe força capaz de contrariar a exigência imperiosa dos sentidos, o uso de um elemento qualquer de excitação que ponha a vida a vibrar. É isso que se procura no ópio, peitol, coca, éter, álcool, sem atender ao dano consequente; é o que no vinho natural, não composto, se encontra inocente, salutar, único em termos de acatar a fisiologia, a higiene e outras forças chamadas à pendência. Talvez por os antigos se terem apercebido da maravilha complexa que manejavam, a consideraram um dom dos deuses. Os contemporâneos, guiados pela ciência, depois de demoradamente a analisarem, reconheceram-na como o produto mais perfeito para ajudar o homem a viver bem, por muito tempo. Conclusão: É permitido admitir na natureza do homem um estado de avidez, ou fome de excitante que os alcalóides e outras substâncias perigosas, muitas vezes são chamadas a saciar. O vinho possui o meio salutar de suprir aquelas faltas sem afectar a saúde e de combater a propagação do vício e doenças resultantes do uso dos tóxicos." J A Loureiro 1936 (continua)

Wednesday, November 22, 2006


BILHARDA
Voltando ao vocabulário português e baseado mais uma vez no Grande Dicionário da Língua Portuguesa de 1981, a palavra de hoje é bilharda, substantivo feminino: "Um pau adelgaçado por ambos os lados, com que os rapazes jogam fazendo-o saltar por meio de uma pancada com outro pau mais comprido, de modo que não caia na roda ou círculo que traçam no chão. O pau menor que entra nesse jogo. O mesmo que pénis". É curioso como é que tantas coisas vão dar ao pénis, mas esta da bilharda não lembra a ninguém e quanto ao jogo, enfim ... Curioso é que BILHARDEIRO é o vadio que joga à bilharda enquanto que BILHARDEIRA é mulher de levar e trazer e BILHARDONA é apenas mulher vadia, vá-se lá saber porquê!

Sunday, November 19, 2006


O VINHO - Propriedades e Aplicações
Após cerca de um mês de afastamento sabático do paisicaico, jalles regressa às lides para continuar concerteza com notas sobre o vacabulário português, mas iniciando também alguns comentários sobre o vinho. "O consumo de bebidas fermentadas e doutros produtos excitantes é comum, sob todas as latitudes, a todos os homens, qualquer que seja o seu grau de civilização. O problema levantado pela existência e a generalidade dessa prática não podia deixar de solicitar a atenção dos fisiologistas, dos médicos e dos higienistas. dentre as opiniões expostas destacam-se duas tendências principais: Uns condenam categoricamente o uso de todos os princípios capazes de produzir embriaguês, em nome dum certo conceito de normalidade fisiológica, diante do qual a perturbação do equilíbrio nervosso próprio da ebriedade significa um estado constantemente mórbido. Outros são mais indulgentes para esses produtos porque possuem propriedades terapêuticas, porque quási todos são capazes de diminuir as sensações penosas dependentes do cansaço ou da doeença e porque finalmente a tradição imemorial parece mostrar que se trata de uma necessidade natural do homem" J A Loureiro 1936 (continua)

Wednesday, October 18, 2006


Na continuação das aulas sobre algum do vocabulário português mais utilizado em situações de stress seja ele positivo ou negativo, vamos agora analisar a palavra: PORRA: (do latim. porru) Nome antigo de uma clava, espécie de pau curto, com cabeça, ou peça semelhante de ferro; cacete; barra.Modernamente, porra é plebeísmo obsceno, o m. q. pénis, e usado, em geral em forma de exclamação por: irra!, arre!, etc.Não sabemos o que terá transformado uma simples clava num plebeísmo obsceno ou até num pénis. Para isso junto uma imagem para meditarmos. A propósito, como já terão visto é melhor não se meterem com o carago...

Depois de algumas deambulações em França e na Alemanha, voltamos ao nosso pequeno rincão, cá na ponta ocidental da Europa, para uma pequena aula de vocabulário lusitano. E a primeira aula é sobre uma palavra nortenha, muito vilipendiada pelos mouros e como veremos já a seguir, sem qualquer razão. Ora bem, segundo o conceituado " Grande Dicionário da Língua Portuguesa", com a coordenação de José Pedro Machado, de 1981: CARAGO - Grande peixe seláceo da fauna marítima portuguesa, pertencente à família Lamnidae. Afinal não é nada do que estavam a pensar... Fica uma imagem do dito CARAGO.

Tuesday, October 10, 2006


FOUR DAYS IN THE "MERDE" III
Pode parecer um exagero dar tanta importância à minha passagem pelo pugatório, mas há algumas coisas didácticas nesta tormenta, que gostaria de compartilhar com quem tiver a gentileza de me estar a ler. Ora, uma coisa que eu me interrogava desde a minha chegada era porque é que as pessoas cheiram tão mal nesta terra. Seria por não se lavarem? Seria por usarem sempre a mesma roupa? Ou talvez pelo excesso de pêlos nas mulheres; ao terceiro dia, fez-se luz na cidade homónima (para os franceses, claro)o local mais frequentado da cidade, a julgar pelas kilométricas filas de espera era aquele que vemos na imagem. Ainda bem que o cheiro ficou lá...

FOUR DAYS IN THE "MERDE" II
A minha dolorosa experiência de quatro dias, qual purgatório antecipado teve também alguns, embora poucos, pontos altos. Um deles foi na minha visita ao Louvre, verificar que a majestosa Vitória de Samotrácia que os franceses colocam em grande destaque, talvez pensando ou querendo fazer os incautos pensar que ela afinal não foi roubada às águas do mar Egeu; mais grave do que isso, cortaram-lhe a cabeça, talvez para a trazer no barco do saque, mas com uma das mãos que também aparece exposta no mesmo museu esta indica aos ditos piratas o seu caminho: allez au ... (a figura diz tudo).

Monday, October 09, 2006


FOUR DAYS IN THE "MERDE"
É verdade, hoje deixo o meu alemão de lado, a língua dos visigodos eoutros "bárbaros" e vou falar da minha dolorosa experiência na terra dos verdadeiros bárbaros e defensores da europa, com letra pequena, claro. Só tive pena de não ter prestado a minha homenagem a Ignace Broche, genial artista e cientista da rive gauche parisiense do século XVIII.Para todos fica a minha primeira imagem da cidade, capital de França, onde vi poucos franceses, diga-se de passagem.