Friday, June 20, 2008



SURUCUCU





s.f. (do tupi). Zool. Serpente venenosíssima, a mais temível das serpentes brasileiras, que chega a atingir 2,50 m e se distingue das espécies congéneres por ter as escamas do corpo elevadas no meio (também se chama surucucutinga).
A partir do veneno da surucucu foi detectado um poderoso anticoagulante e também anti-tumoral e estão actualmente a decorrer pesquisas para a fabricação de um novo medicamento para combater o cancro.
Símbolo da medicina e da cura. Sinónimo de pavor para muitos. A maior cobra venenosa das Américas é também a grande protectora das plantações de cacau.
Excelente vídeo em:

"O caminho que desce e o caminho que sobe são os mesmos"
Heráclito

Monday, June 16, 2008


ALMINHAS


As Alminhas fazem parte do património artístico-religioso do nosso país. São pequenos altares de culto aos mortos onde se pára um momento para deixar uma oração, sendo um dos vestígios mais importantes da arte popular religiosa de Portugal. É frequente encontrar velas e lamparina acesas, deixadas pelas pessoas que passam no local, ou mesmo flores.

Não se sabe exactamente qual é a sua origem, mas crê-se que tenha a ver com a busca de ajuda divina nos caminhos e encruzilhadas, culto que já vem dos celtas, gregos e romanos, todos eles povos que prestaram culto a este tipo de divindades; mas as alminhas acrescentam mais qualquer coisa, pedem a oração dos que por elas passam, em favor das almas do Purgatório, sendo as primeiras representações artísticas do purgatório e que persistiram até aos nossos dias.
Geralmente, as alminhas são erguidas em encruzilhadas de caminhos (local de reunião de entes sobrenaturais...), quase sempre em caminhos rurais, em matas ou perto de cursos de água, embora também se possa encontrar alminhas junto às estradas nacionais. As alminhas também podem ser incrustadas em velhos muros ou na frontaria de casas e podem ser construídas nos mais diversos materiais.

O seu elemento principal é o painel de retábulo, pintado sobre madeira, estuque, tela, folha metálica ou azulejo, representando os condenados a arder nas labaredas do Purgatório, implorando a misericórdia divina e daqueles que por elas passam.



"Todas as almas são igualmente perfeitas"
Teixeira de Pascoaes

FASCENINAS


Fasceninas, s. f. pl. - composições poéticas ou dramáticas grosseiras e licenciosas, usadas em Fescénia e depois introduzidas em Roma. (Do lat. fescenina, "poesias fesceninas"). Retirado do Dicionário de Língua Portuguesa da Porto Editora.

A palavra fescenina teve origem na cidade de Fescénia, na Etrúria de onde provieram poesias impregnadas de licenciosidade ou obscenidade e passaram a ser utilizadas nas bodas romanas..

Alguns exemplos de poetas fesceninos são o português Manuel Maria Barbosa Du Bocage ou os brasileiro Gregório de Mattos e Guerra e Bernardo Guimarães.

A imagem junta é da autoria do arquiteto e artista plástico húngaro Géza Heller (1902-1992) que ilustra o recentemente publicado livro de poesia fescenina "AS MULHERES GOZAM PELO OUVIDO", de Sylvio Back, cineasta-poeta brasileiro.


"O fim da arte é quase divino: ressuscitar, se faz história; criar, se faz poesia"
Victor Hugo

Wednesday, June 11, 2008



D. BEBIANO I





Quem diria, um Bebiano Imperador do Brasil.




"Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bebiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga, segundo imperador do Brasil, nasceu no Rio de Janeiro em 2 de dezembro de 1825. Assumiu o trono em 18 de julho de 1841, aos 15 anos de idade, sob a tutela de José Bonifácio e depois do Marquês de Itanhaém.
Em 1843, casou-se como a princesa napolitana Tereza Cristina Maria de Bourbon, com quem teve quatro filhos, dos quais sobreviveram as princesas Isabel e Leopoldina."

"A história é a caixa forte da memória"
Carlo Dossi

Saturday, June 07, 2008


SIMÃO RODRIGUES DE AZEVEDO

Recupero este texto de 1996, que redigi em memória de um IlustreVouzelense, talvez um pouco esquecido na actualidade e que introduziu em Portugal a Companhia de Jesus, que ainda hoje tem um papel importante na nossa sociedade fundamentalmente com o seu papel missionário e acima de tudo educacional, apesar das perseguições de que foram vítimas ao longo dos séculos desde a sua fundação em 1534.


Fundador da Companhia de Jesus e seu introdutor em Portugal, primeiro jesuíta português, introduziu a Ordem em Portugal com bases sólidas, lançando ao mesmo tempo a missão ultramarina.
Nasceu em Vouzela em 1510 e era filho de Gil Gonçalves de Azevedo Cabral e de D. Helena de Azevedo, nobre família.
Em 1527, com 17 anos de idade foi para Paris para a Universidade como bolseiro d'El-Rei, começando por se matricular no Colégio de Santa Bárbara, com seu irmão Sebastião, dedicando-se ao estudo de Humanidades ou Artes, sendo nessa altura Reitor da Universidade de Paris o português André de Gouveia. Matriculou-se na Faculdade de Artes em 1532 e licenciou-se em 1536, tendo-se dedicado então ao estudo da Filosofia e Teologia.
Em 1529, Inácio de Loyola chega ao Colégio de Santa Bárbara e começa a reunir um grupo de amigos que viria a estabelecer os alicerces da Companhia de Jesus. No mesmo quarto habitavam Inácio de Loyola, Francisco Xavier, Pedro Fabro e Simão Rodrigues, embrião da Companhia de Jesus a que se juntaram Diogo Laínez, Afonso Salméron e Nicolau Bobadilla.
Os sete deixaram Paris em 1537, dirigindo-se para Veneza, onde se lhes juntaram Cláudio de Jay, Pascácio Broet e João Codure, que vinham a perfazer o Grupo dos Dez.
A ida para Veneza, em 25/01/1537 prendia-se com a vontade de demandar a Terra Santa, pois era dali que partiam os barcos. Como se não conseguissem os seus intentos foram para Roma em 16/03/1537, onde se puseram às ordens do Papa para que os enviasse às missões que julgasse ser do maior serviço divino.
O encontro com o Papa deu-se no Castel Sant'Angelo, e este, agradado com os ideais de vida e missão do Grupo, satisfez favoravelmente os seus pedidos: a bênção de Paulo III, a licença para peregrinarem à Terra Santa e a autorização para receberem as ordens sagradas das mãos de qualquer bispo, mesmo fora dos tempos costumados, além de lhes dar 260 ducados para a viagem.
Voltam então para Veneza para empreender a viagem. Em 24 de Junho de 1537, recebeu Simão, juntamente com os seus amigos o sacerdócio, continuando a esperar a viagem, que não se realizou, pelo estado de guerra de Veneza com os Turcos.
No dia 15 de Abril de 1539, é fundada a Companhia de Jesus, em Roma.
Em 23 de Agosto de 1539 chega a Roma uma carta de D. João III, interessado e muito empenhado na presença e instalação da Companhia de Jesus em Portugal, o que levou Inácio de Loyola a referir-se-lhe como o "pai da Companhia de Jesus", pois foi de Lisboa que partiram Manuel da Nóbrega, Anchieta, João de Brito e tantos outros que haveriam de levar o Evangelho aos quatro cantos do mundo.
A 17/4/1540 chega Simão a Lisboa e logo se encontra com D. João III, Rei de Portugal, "o primeiro e maior benfeitor, não só da Província portuguesa, mas ainda de toda a Companhia". Pouco depois chega também Francisco Xavier.
Em Lisboa, os dois jesuítas, Simão e Francisco Xavier eram admirados e venerados por todos ao ponto de Simão Rodrigues escrever a Inácio de Loyola em Junho de 1540, que muitos "pensam que beijando nossas roupas beijam relíquias de Santos". O ideal da Índia mantinha-se vivo nos seus corações, lembrando-se que o fundamento que os fez sair de Roma com o mandato de Sua Santidade foi levar o nome do Senhor perante os reis e pregá-lO àqueles que O não conhecem.
A 3 de Abril de 1541 parte Xavier para a Índia na armada sob o comando do novo vice-rei D. Martim Afonso de Sousa. Simão ficou, mas sempre com projectos de missionação futura em paragens distantes.
Ao ficar em Portugal, a sua vocação missionária e de acção, levou a que o fundador da Província portuguesa desenvolvesse um trabalho fundamental e decisivo na implantação e consolidação da Companhia de Jesus no nosso país.
O primeiro colégio dos jesuítas em Portugal foi fundado por Simão Rodrigues em Lisboa, em Santo-Antão e desde o início gozou do maior prestígio.
Em Coimbra é também fundado um colégio junto à Universidade, Colégio do Nome de Jesus, com os bons ofícios do rei D. João III.
É por intermédio de Simão Rodrigues, aproveitando o acontecimento que viria a ser o casamento da infanta D. Maria com Filipe II de Espanha, que se dá a introdução da Companhia de Jesus em Espanha, com o seu amigo Pedro Fabro a que se juntaram muitos jesuítas jovens formados no colégio de Coimbra.
Em 1551 é fundado o colégio dos jesuítas em Évora, embrião da Universidade que é inaugurada em 1559.
Simão sempre alimentou o desejo de ajudar a difundir a Fé no Novo Mundo, mas como diz P. Baltazar Teles na sua "História da Companhia de Jesus nos reinos de Portugal", " conhecendo já o P. Simão que os gravíssimos negócios desta Província de Portugal não lhe davam lugar para cumular os seus grandes desejos de missão no Brasil, resolveu chamar a Coimbra o P. Nóbrega para mandá-lo ao Brasil em seu lugar".
Assim Simão ajudou a espalhar a Fé e a língua portuguesa em todo o mundo até então conhecido e encarregou-se pessoalmente da organização e implantação da Companhia em todo o país, não havendo "parte alguma do mundo, onde tanto prosperasse naqueles primeiros tempos", como escreve Inácio de Loyola em 1551.
Imcompreensões várias e invejas muitas pressionam Inácio de Loyola a libertar Simão do cargo de provincial de Portugal, e assim, no dia 1 de Janeiro de 1552, Simão Rodrigues é constituído provincial dos reinos de Aragão, de Valência e da Catalunha. Em relação à perda que a Província portuguesa sofreu, escreve Francisco de Borja em 1552: "parece que é tirar os fundamentos do edifício pra em breves dias destruir o edificado".
Em Junho de 1553 inicia um exílio de 20 anos em Roma, para onde foi desencantado pelo rumo que a Província portuguesa estava a tomar e mandado por Diogo Mirão, então provincial, a quem Inácio conferiu poder de decidir o futuro de Simão. Aí, Simão foi julgado pelos seus, com base em calúnias e invejas várias, agravadas com o actual desgoverno da Província portuguesa, tendo sido condenado a não mais voltar a Portugal. Pode-se compreender o desânimo e o desgosto sentidos pelo Mestre, mas a sua dedicação à Companhia fizeram-no acatar com "alegria" esta decisão.
Em 1554 consegue alcançar um dos seus sonhos que é visitar a Terra Santa em peregrinação. No seu longo exílio, passou Simão por Veneza, Pádua, Bassano e Génova onde foi superintendente do colégio da Companhia.
Em 1564, Diogo Laínez, então Geral da Companhia, providenciou a sua ida para Espanha, tendo passado por Córdova, Toledo e Múrcia.
Após 20 anos de ausência de Simão da Província portuguesa, esta continuava desgovernada e é assim que em 1573 o P. Everardo Mercuriano, novo Geral da Companhia, compreende o erro cometido anos antes e "ordenou" a Simão Rodrigues que regressasse a Portugal para pacificar a Província.
A Província voltou a prosperar e continuou a sua consolidação e Simão pôde ficar enfim em paz.
Em 1577 termina a sua notável obra "De origine e progressu Societatis Iesu".
A 15 de Julho de 1579, morre em Lisboa , na Casa de S. Roque, onde viveu os últimos anos da sua vida.


"A mim vos digo, me parecem uns Apóstolos"
D. JoãoIII

Monday, May 26, 2008


TOPOFONE


Mais uma incursão pelo rico vocabulário português, depois da brilhante abaladiça. Topofone: sm (topo+fone2) Instrumento destinado a determinar a direção de onde provém um som, em particular durante nevoeiro sobre o mar. Var: topofono. É assim que vem descrito no Dicionário de Língua Portuguesa HostDime. Em 31 de Agosto de 1880, o Professor A. M. Mayer apresentou o topofone como sendo um instrumento para determinar a direcção e posição de uma fonte sonora. Não valerá a pena descrever o instrumento pois a imagem é suficientemente esclarecedora, julgo eu. Este instrumento foi utilizado inicialmente na navegação marítima, em situações de nevoeiro, para localizar mais fielmente a posição dos sinais sonoros recebidos na embarcação provenientes de outras embarcações, ou de terra. A real localização do som pode ser determinada com este instrumento fazendo duas observações nos extremos de uma linha de comprimento conhecido. Muito bem achado, e com imensas aplicações que dele advieram.

"O cientista não traz nada de novo. Só inventa o que tem utilidade. O artista descobre o que é inútil. Traz o novo"
Karl Kraus




ABALADIÇA





Estávamos a terminar o jantar e a última garrafa de vinho também estava a acabar. Então o A. diz: vamos pedir a abaladiça. Pouca gente conhecia o termo, que é utilizado no alentejo e que significará a última bebida, talvez por ser a última antes de abalar. O termo é muito engraçado e tem uma sonoridade tipicamente alentejana. Estamos sempre a prender...


"A solidão é agora tão difundida que se tornou paradoxalmente uma experiência compartilhada"
Alvin Tofller

Monday, May 19, 2008



ESTÁDIO DAS ANTAS





Nas origens da cidade do Porto, que postei recentemente é apresentado um mapa pré e proto-histórico do Porto, fazendo referência a várias antas, infelizmente já desaparecidas, na cidade do Porto, engolidas pela urbe, cujo topónimo foi origem do nome do Estádio das Antas, também já desaparecido, embora por razões diversas e em nome do progresso, mas agora de antas, só ficou mesmo o nome.
Alguns números:
  • 1933 - Ano da Assembleia Geral em que surgiu a decisão de construção de um novo estádio para substituir o já pequeno Campo da Constituição.
  • 28 de Maio de 1952 - Inauguração do estádio.
  • 1962 - Inauguração da iluminação artificial.
  • 1976 - Aumento da lotação do estádio de 44.000 para 65.000 lugares.
  • 1986 - Rebaixamento do campo.
  • 1987 - Colocação de cadeiras em todas as bancadas descendo a lotação para 55.000 lugares.
  • 24 de Janeiro de 2004 - Último jogo
  • Março de 2004 - Demolição do estádio.


"De que serve ressuscitar? Toda a gente continua a ver o morto"
Teixeira de Pascoaes

Tuesday, May 13, 2008


JOÃO RAMALHO

Escrito por mim em 1995, recupero este texto, polémico, sobre uma grande figura da História de Portugal e do Brasil


Estávamos no último quartel do séc.XV, em plena era das Descobertas!
Nascia em Vouzela João Belbode Maldonado, filho de João Velho Maldonado e de Catarina Afonso Belbode, que casou, na sua terra com Catarina Fernandes, órfã do granjeiro Fuão das Vacas. Era conhecido como Ramalho , numa alusão às barbas, bigodes e cabelo arrepiados ( naquele tempo, como agora, toda a gente tinha alcunha, e esta tornava-se o verdadeiro nome).
Por razão que a História não nos deixou, terá embarcado numa das caravelas que na altura demandavam o Novo Mundo ( nesse tempo pouca gente embarcava voluntariamente e quase todos os condenados o faziam, uns para servir nas naus e outros para serem abandonados nas novas terras da Coroa, como povoadores).
João Ramalho terá sido condenado por se dar bem e ter negócios com judeus, numa altura em que estes e os que com eles privavam começaram a ser perseguidos; terá por isso embarcado e sido mandado para longe onde não mais seria uma ameaça para a Fé.
A nau em que viajava terá naufragado, e chegado assim a terras de Vera-Cruz, numa data que os nossos historiadores situam entre 1510 e 1512 (?).
A nova existência de João Ramalho desenvolveu-se nos campos de Piratininga, para lá da serra de Paranapiacaba, onde vivia com a índia Potira (nome que na linguagem tupi-guarani quer dizer, flor ), filha do cacique Tibereçá ( o olho-da terra ), com quem casou segundo os costumes locais. Nasceram os primeiros caribocas ( filhos de português e de índia), e a prole foi crescendo de ano para ano.
Inteligente, trabalhador e empreendedor a sua popularidade e prestígio cresciam incessantemente junto das populações locais.
Só muitos anos depois chegam as primeiras caravelas portuguesas a S. Vicente...
Em 1530, a esquadra de Martim Afonso de Sousa ancorou na barra de Buritioca , perto de S. Vicente onde João Ramalho e sua família foram recebidos, tendo o capelão da esquadra baptizado seus filhos-cinco ou seis- e Potira, que recebeu o nome de Isabel. Martim Afonso de Sousa, nessa altura, nomeou João Ramalho como Guarda-Mor dos campos de Piratininga, tendo regressado à Europa em 1533; nos vinte anos seguintes São Vicente só seria visitada por piratas franceses e espanhóis.
Em 1549, Tomé de Sousa primeiro governador-geral do Brasil, chegou à Bahia na companhia de muitas famílias, 600 homens de armas, numerosos oficiais de diversas profissões, 400 degredados e seis jesuítas, incluindo o superior da missão, o padre Manuel da Nóbrega.
Em fevereiro de 1553, desembarcou em São Vicente e, dois meses depois, galgou a Serra, internando-se no planalto. Aí foi recebido por João Ramalho e, em 8 de Abril de 1553, a povoação foi elevada à categoria de vila, com o nome de Santo André da Borda do Campo, e o vouzelense, que já era Guarda-Mor, passou a ser o seu Alcaide-Mor. A partir desta data, chegaram até nós sob a forma de actas das reuniões da Cãmara da vila de Santo André, alguns dados históricos da vida de João Ramalho.
É assim que sabemos que, ao lançar a sua rúbrica, riscava uma ferradura deitada com a abertura voltada para a esquerda: era o "kaf", a sua afirmação de judeu.
Com a chegada dos jesuítas, João Ramalho mandou construir uma igreja na vila, onde não chegou a entrar por ter sido excomungado por pecado de mancebia ( era casado com Catarina Fernandes aos olhos da Igreja).
Este facto levou a um afastamento progressivo entre João e Isabel, convertida pelos jesuítas, tendo esta abandonado a vila para viver com seu pai, Tibereçá na nova vila de Piratininga (a três léguas de distância), onde tinha sido instalado um colégio de jesuítas.
Em 25 de Janeiro (dia da conversão de S. Paulo) de 1554, ao ser celebrada a fundação do novo colégio, era fundada Piratininga (embrião da cidade de São Paulo).
Santo André entrava assim em rápido declínio, pois muitos dos seus habitantes começaram a mudar-se para Piratininga, onde havia portas que se comunicavam com o Céu; além disso os padres de São Paulo já não iam a Santo André.
Em meados de 1560, Mem de Sá, terceiro governador-geral do Brasil, a pedido dos jesuítas de Piratininga, mandou uma ordem a João Ramalho para que abandonasse a sua vila e incorporasse a sua gente aos moradores de São Paulo. Essa medida já era esperada, e o que restava da povoação, apressou-se a mudar para a aldeia nascente de Piratininga (para onde tinha sido transferido o foral de vila do primeiro núcleo lusitano do planalto-Santo André da Borda do Campo), que só depois disso tomou incremento. Diz a história, que João Ramalho foi o último a partir...
A partir de 1560 a população de São Paulo, começou a ser atacada pelos índios, e, face ao perigo eminente, João Ramalho é nomeado Capitão-Mor de São Paulo, para defendê-lo. A Câmara e o povo aclamam-no, e apesar de velho e anteriormente injustiçado, ele aceita.
Em 10 de Julho de 1561, dá-se o ataque de um exército de índios de várias nações, que os piratininganos sob as ordens de João Ramalho e Tibereçá conseguem heroicamente vencer. Este último e Vitorino, filho mais velho de João Ramalho, acabam por falecer na peleja.
O seu nome voltou a ser aclamado pela povoação nascente nos campos de Piratininga, tendo sido eleito vereador da Câmara nas eleições seguintes, cargo que no entanto recusa dizendo-se velho e cansado, e passou a viver afastado da vila.
Amargurado com a lembrança das injustas perseguições a que tinha sido sujeito, e a memória dos entes queridos que já haviam partido João Ramalho sentia-se um sobrevivente no mundo novo que já não era o seu.
Assim em 1580, resolve voltar a São Paulo para oficializar o seu testamento- "Aos três dias do mês de Maio de1580 anos da era de Nosso Senhor Jesus Cristo, perante mim, tabelião, Lourenço Vaz do 1º Ofício de Notas, na presença de Pedro Dias, Juiz Ordinário e de quatro testemunhas, diz João Ramalho, natural de Vouzela, comarca de Viseu, Província da Beira, Portugal, filho de João Velho Maldonado e de Catarina Afonso Belbode, casado na terra com Catarina das Vacas, que já se encontra por estas terras há noventa anos..."
Nos primeiros anos deste século, travaram-se no Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e na imprensa daquela cidade brasileira, vivos debates sobre a figura do vouzelense.
A darmos crédito ao seu testamento feito em cartório, perante o escrivão,o juiz ordinário e testemunhas gradas, em livro rubricado por João Soares, ele chegara ao Brasil em 1490, isto é, antes de Cabral, antes mesmo de Colombo ter aportado a Guanaami, nas Antilhas.
Mas esse testamento (polémico e muito discutido), citado por Pedro Taques e Frei Gaspar da Madre de Deus, assim como por outras pessoas, desapareceu sem deixar maiores vestígios (existem apenas alguns fragmentos dispersos, não sendo reconhecido pela maioria dos historiadores).
No seguimento dos debates atrás referidos, o Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo nomeou uma comissão para estudar vário pontos menos claros da vida de João Ramalho. Devido à escassez dos documentos existentes poucas conclusões se puderam tirar; uma delas é que efectivamente ele utilizava o "kaf" hebraico na sua assinatura.
O efectivo desconhecimento histórico de alguns factos da sua vida envolveram-nos em lenda que a pesquisa histórica se esforça ainda hoje por esclarecer...
Não se sabe com que idade (mais de cem anos?), ou em que ano morreu João Ramalho (não sem antes se ter confessado e ter sido absolvido), mas sabe-se que foi um dos primeiros povoadores europeus do Novo Mundo e que a sua colaboração foi inestimável como elemento de ligação entre o colonizador português e os índios do Brasil , aplainando as arestas de um convívio nem sempre pacífico.
Fica para a história como o grande povoador dos campos de Piratininga, que daria origem em 1554 à fundação da cidade de São Paulo.
Como escreveu Tomé de Sousa, primeiro governador-geral do Brasil,ao Rei de Portugal, em 1553: "...Johão Ramalho, natural do termo de Coimbra, que Martim Afonso já achou nesta terra, quando cá veyo. Tem tantos filhos, netos, bisnetos e descendentes que ho não ouso dizer a V.A... Não tem cãs na cabeça nem no rosto e anda nove léguas a pé antes do jantar"...


"Por mares nunca de antes navegados..."

Camões

Monday, May 12, 2008


AS ORIGENS DA CIDADE DO PORTO


De Edições Pátria - Gaia de MCMXXXII, tenho a felicidade de ter acesso a "As origens da cidade do Porto" por Mendes Corrêa, Prof. da Universidade do Porto. Deixo uma Carta do Porto pré e proto-histórico (do Autor) e algumas palavras do mesmo para aguçar o apetite para futuras incursões neste tema. "A arqueologia e a toponímia antos respeitantes ao Porto e seus arredores. eles mostram a remotíssima antiguidade da ocupação humana nesta área a N. do Douro." Da análise cuidada deste mapa poderemos tirar várias ideias da antiguidade desta região e tentar, num exercício de raciocínio aplicado localizar os topónimos aí referidos com o Porto da actualidade. O mais fácil de localizar (agora também já não) é o porquê do nome do antigo Estádio das Antas, pois o que não falta naquela localização são antas, mamoas e arcas, como podemos observar. O que terá o dragão a ver com isto...


"As pessoas não serão capazes de olhar para a posteridade, se não tiverem em consideração a experiência dos seus antepassados"

Edmund Burke

Sunday, May 04, 2008


MANUAL DE CIVILIDADE E ETIQUETA


Inicio hoje algumas notas sobre civilidade e etiqueta retiradas do respectivo manual (sétima edição), editado em 1903, ou seja há 105 anos editado por Arnaldo Bordalo, em Lisboa e fazendo parte da colecção "Enciclopédia de Livros Úteis", da qual é o quarto volume.


"Todos os actos da nossa vida publica teem de obedecer a praxes estabelecidas, a um geral convencionalismo, sob pena de sermos considerados descortezes e ignorantes. Saber viver na sociedade quer dizer que nos sabemos comportar com a delicadeza e dentro das formalidades que o respeito pelos outros e por nós próprios nos impõe. A polidez no trato, a cerimonia que nos cumpre observar em grande parte das nossas acções, acorrecção do nosso comportamento, a linha genérica dos nossos habitos, tudo isso que à primeira vista poderá parecer incommodo e inutil é, sem duvida, d'onde deriva o grau maior ou menor da civilização das nações. Se não houvesse um codigo de civilidade e etiqueta, se cada um procedesse sem attenção para com as demais pessoas, a moral social não existiria... Assim a civilidade é a moral. A'parte os caprichos das modas, que são enfim, os toques do gôsto nas exterioridades da nossa vida, os preceitos do saber viver desenvolvem os mais puros sentimentos da nossa alma, tornando-nos aptos para merecer a veneração de todos e permitindo-nos que desempenhemos no mundo o nosso verdadeiro papel."


Cremos haver muita actualidade nestas palavras, na civilidade ou na falta dela e nas confusões da liberdade nos dias de hoje. Quando se fala tanto em liberdade e civismo, convém não esquecermos também a civilidade!

"Ser livre significa em primeiro lugar ser responsável para consigo mesmo"

Mircea Eliade

Thursday, April 10, 2008


GROUCHO MARX


Quando estive em Halifax, assisti a várias conferências, algumas bastante interessantes, particularmente uma delas em que eram muito bem apresentadas algumas ideias novas dentro daárea em debate. O conferencista terminou com uma frase e uma imagem que junto a este texto. Aquela frase de Groucho Marx ficou bem marcada e procurei mais algumas citações do mesmo actor e autor. Deixo algumas delas:


"Estes são os meus princípios. Se você não gosta deles, eu tenho outros"

"Eu nunca esqueço um rosto, mas, no seu caso, vou abrir uma excepção"

"O matrimónio é uma grande instituição. Naturalmente, se você gostar de viver numa instituição."

"Acho a televisão muito educativa. Toda as vezes que alguém liga o aparelho, vou para outra sala e leio um livro"

Groucho Marx

Tuesday, April 08, 2008


PREVENÇÃO RODOVIÁRIA BRASILEIRA


É sabido que o povo brasileiro é muito mais pr'á frente e desinibido que o português que é muitas vezes apelidado por aquele de macambúzio ou sorumbático. Vem isto a propósito de uma campanha da Prevenção Rodoviária Brasileira constituída por um conjunto admirável de outdoors. A sua congénere Portuguesa também está a evoluir, mas de uma forma um pouco melodramática. Fica um exemplo da criatividade brasileira.



"O género humano sempre meteu a ridículo os próprios dramas. Como é que os poderia ter suportado de outro modo? É por isso que tudo o que o género humano levou a sério releva do lado cómico das coisas"
Oscar Wilde




ESTRAMBÓLICO, adj.



Alteração popular de estrambótico. Estrambótico, adj. Estravagante; antiga composição poética de carácter amoroso.

Procurando a etimologia e o significado desta palavra curiosíssima, deparo no Dicionário de Língua Portuguesa on line HostDime com estrambólico adj fam V estrambótico que no mesmo dicionário é definido como adj. Pop. Extravagante, singular. / Afectado, ridículo. Ou seja, algo que não é comum, bizarro, podendo também ser considerado de mau gosto ou ridículo.

Junto uma imagem fantástica do anjo estrambótico, retirado de "Osiris y su mundo", uma verdadeira composição poética.

"Muitas vezes, o sublime e o ridículo encontram-se tão estreitamente relacionados, que é difícil classificá-los separadamente. Um passo além do sublime e cai-se no ridículo; um passo além do ridículo e chega-se ao sublime."
Thomas Paine


Friday, April 04, 2008


CONTORCIDO, adj.
(de contorcer). Que sofreu contorção; serpenteado, dobrado. // Que sofreu desvio ou modificação (em sentido próprio e figurado). Como sempre, fui ao Grande Dicionário da Língua Portuguesa de 1981 buscar estes significados, mas pode haver outros. Por exemplo na micro anatomia do rim aquilo que em Portugal se chama tubo contornado proximal (e distal) no Brasil tem o nome de túbulo contorcido proximal (e distal)


CALEIDOCICLOS CONTORCIDOS: O desenho de motivos entrelaçados usados para esses caleidociclos (desenhos periódicos), baseia-se numa rede de rectângulos. Para cobrir o caleidociclo contorcido, sobrepôs-se ao desenho periódico uma rede obliqua de triângulos, de forma que as arestas do topo e da base, assim como as da direita e da esquerda, condissessem uma as com as outras. Os retângulos no padrão original determinam o comprimento das arestas dos triângulos e os seus ângulos de inclinação. Quando girar este caleidociclo contorcido, verá as figuras cambalearem num ciclo infinito.


Tal como os caleidociclos, conhecemos ao longo da nossa vida pessoas oblíquas e contorcidas que cambaleiam pela vida num ciclo indefinido.


"A melhor resposta às calúnias é o silêncio"
Benjamim Jonson

Tuesday, April 01, 2008






HALIFAX II

Voltando a Halifax, estando eu a rever as fotografias tiradas na altura, deparei com estas duas, deliciosas na imagem, não sei se também no sabor do seu conteúdo pois confesso que não experimentei. Sendo Halifax famosa pela sua lagosta, que até no aeroporto havia à venda eu como bom português preferi a lagosta ao bife de tubarão. Mas que me deixou curioso, deixou!


"A primeira lei dos dietistas parece ser esta: se sabe bem, faz-te mal"
Isaac Asimov


Saturday, March 29, 2008


HALIFAX

No ano passado estive em Halifax, no Canadá. Não sabia onde ficava e verifiquei no mapa que era um dos locais daquele país mais próximo da Europa. No final dos dias de trabalho visitávamos aquela cidade marítima na companhia dos colegas espanhóis que nos acompanhavam na viagem. Numa dessas deambulações sou chamado pelo meu amigo Carlos C., espanhol, para admirar um monumento a um navegador português que se encontrava num pontão, junto ao mar e do qual junto uma fotografia tirada na altura. Tratava-se de um monumento a João Álvares Fernandes(1460-1525), navegador Português, nascido em Viana do Castelo. A curiosidade levou-me a conhecer um pouco da vida deste nosso antepassado, talvez mais conhecido no Canadá do que no seu próprio país. Os navegadorers Portugueses não viajaram só para o sul, mas também exploraram o Atlântico norte. Foram exemplos de exploradores destas terras, João Fernandes (que em 1497 baptizou o Labrador) e Gaspar Corte-Real em 1500. Estas viagens iniciais foram seguidas pela tentativa (infrutífera) de João Alvares Fagundes de fundar uma colónia nessa região, em Newfoundland. Álvares Fagundes recebeu do rei D. Manuel I em 1521 o exclusivo do comércio e povoamento das áreas por si descobertas e que correspondiam a parte do costa nordeste das Américas no que são hoje as províncias marítimas canadianas da Nova Escócia, Labrador e Terra Nova.


No ano de 2000 foi erigido este monumento para celebrar a chegada dos primeiros europeus à Nova Escócia no ano de 1520.



"A perseverança é a mãe da boa sorte"
Miguel de Cervantes


Sunday, March 23, 2008

PALEOETNOLOGIA DE LAFÕES



Da obra "Povos antigos de Portugal - Paleoetnologia do território hoje português" de João e Augusto Ferreira do Amaral (Quetzal editores 1997), retiramos algumas curiosidades relativas a topónimos da região de Lafões. A palavra topónimo deriva dos termos gregos τόπος (tópos), lugar, e ὄνομα (ónoma), nome, literalmente, o nome de um lugar. Vamos a alguns exemplos:


Alcofra al qufra de deserta - Árabe


Vouga , vauga ,vauca , uauga , ouákona de torto - Antigo Europeu
Adsamo (Adçamo) , ad de em ou muito e samo igual a verão - Celta


Cambarinho ,cambar , camari de quinta do camaro (cambarinus - antropónimo Celta)


Caramulo , eminência - Antigo Europeu


São Macário , magalio , magalus -Celta



Cambra , calambria , calambriga Celta (Briga igual a colina, cabeço, povoação, castelo no alto dum monte)


Sul ,teónimo Celta


Conclusão: os Celtas andaram por aqui!



"A História é um conjunto de mentiras sobre as quais se chegou a um acordo"
Napoleão Bonaparte

Thursday, March 20, 2008


CIRCUNCISFLÁUTICO III


Voltemos ao tema das amígdalas, que vá-se lá saber porquê, me tem interessado desde já alguns tempos... Falo, convém salientar das amígdalas cerebelosas cuja ablação levará ao recém denominado Síndrome do Circuncisfláutico. É curioso que uma parte tão importante do nosso cérebro seja desconhecida da maior parte das pessoas. a amígdala é um um centro do sistema límbico (cérebro primitivo) que é o ponto central do sistema endócrino e vegetativo. A amígdala é pois especializada nas questões emocionais funcionando como um arquivo da memória emocional; a vida sem amígdalas é uma existência sem significado pessoal e sem afecto: a paixão depende dela assim como a lágrima (excusiva do ser humano). Na arquitectura cerebral a amígdala é também como uma central programada para enviar chamadas de urgência: por exemplo ao mínimo sinal de medo a amígdala envia mensagens que setimulam a secreção de hormonas que desencadeiam a reacção de combate ou fuga e mobiliza os centro de movimento e o sistema cardiovascular; outros sinais vão para a secreção de adrenalina, com os efeitos conhecidos de todos. A amígdala é pois uma sentinela das nossas emoções. Podemos considerá-la como o centro da inteligência emocional tão em moda na actualidade. Estimulemos as nossa amígdalas e não nos deixemos tornar circuncisfláuticos, num país cada vez mais circuncisfláutico.
"A emoção é sempre nova, mas as palavras usam-se desde sempre: daí, a impossibilidade de exprimir a emoção"
Victor Hugo


Monday, March 10, 2008


CIRCUNCISFLAUTICO II


Estava eu a acabar de colocar no ar, ou na rede, ou onde quer que seja o primeiro circuncisfláutico, quando surgiu na minha frente a possível e qiçá provável origem do circuncisflautismo. E tem tudo a ver com as amígdalas, ou para ser mais correcto, com a falta delas. Desenganem-se aqueles, que serão concerteza alguns dos que lêem estas linhas (se é que alguém lê esta coisa), que isto é um problema para ser resolvido pela especialidade de Otorrinolaringologia; pois não é: e porquê? Como diria o outro, amígdalas há muitas: as palatinas, as linguais, as faríngeas e last but not the least as menos conhecidas amígdalas cerebelosas. No latim amygdala, do grego antigo αμυγδαλή, amygdalē, significa "amêndoa", "tendão" ou ainda corpo amigdalóide (do latim corpus amygdaloideum) refere-se a qualquer órgão anatómico em forma de amêndoa. Ora as amígdalas cerebelosas são grupos de células nervosas que, juntas, formam uma massa esferóide (amigdalóide) de com cerca de dois centímetros de diâmetro, situada no lobo temporal do cérebro de grande parte dos vertebrados, incluindo o homem. Esta região do cérebro faz parte do sistema límbico (cérebro primitivo) e é um importante centro regulador do comportamento sexual e da agressividade. É também importante para os conteúdos emocionais das nossas memórias. O mau funcionamento ou a remoção bilateral das amígdalas cerebelosas origina o Síndroma de Kluver-Bucy, caracterizado pela ausência de respostas agressivas, pela cortesia exagerada, pela oralidade e pela hipersexualidade; os indivíduos perdem a capacidade de avaliar uma situação de perigo, ficando impossibilitados de apresentar sinais de medo ao serem confrontados com estímulos adversos. Os indivíduos tornam-se mais dóceis, apresentam baixos níveis sanguíneos das hormonas do stress e apresentam menor probabilidade de desenvolverem úlceras e outras doenças induzidas pelo mesmo. Uma outra consequência é a regressão à fase oral, levando o indivíduo a colocar na boca tudo o que encontra, mesmo coisas completamente inadequadas ao consumo humano. Creio que esta Síndroma de Kluver-Bucy poderia também chamar-se Síndroma do Circuncisfláutico. Se não querem ficar circuncisfláuticos, não deixem que vos tirem as amígdalas... cerebelosas!


"São maus descobridores os que pensam que não existe terra porque só podem ver o mar"
Francis Bacon