Monday, May 26, 2008


TOPOFONE


Mais uma incursão pelo rico vocabulário português, depois da brilhante abaladiça. Topofone: sm (topo+fone2) Instrumento destinado a determinar a direção de onde provém um som, em particular durante nevoeiro sobre o mar. Var: topofono. É assim que vem descrito no Dicionário de Língua Portuguesa HostDime. Em 31 de Agosto de 1880, o Professor A. M. Mayer apresentou o topofone como sendo um instrumento para determinar a direcção e posição de uma fonte sonora. Não valerá a pena descrever o instrumento pois a imagem é suficientemente esclarecedora, julgo eu. Este instrumento foi utilizado inicialmente na navegação marítima, em situações de nevoeiro, para localizar mais fielmente a posição dos sinais sonoros recebidos na embarcação provenientes de outras embarcações, ou de terra. A real localização do som pode ser determinada com este instrumento fazendo duas observações nos extremos de uma linha de comprimento conhecido. Muito bem achado, e com imensas aplicações que dele advieram.

"O cientista não traz nada de novo. Só inventa o que tem utilidade. O artista descobre o que é inútil. Traz o novo"
Karl Kraus




ABALADIÇA





Estávamos a terminar o jantar e a última garrafa de vinho também estava a acabar. Então o A. diz: vamos pedir a abaladiça. Pouca gente conhecia o termo, que é utilizado no alentejo e que significará a última bebida, talvez por ser a última antes de abalar. O termo é muito engraçado e tem uma sonoridade tipicamente alentejana. Estamos sempre a prender...


"A solidão é agora tão difundida que se tornou paradoxalmente uma experiência compartilhada"
Alvin Tofller

Monday, May 19, 2008



ESTÁDIO DAS ANTAS





Nas origens da cidade do Porto, que postei recentemente é apresentado um mapa pré e proto-histórico do Porto, fazendo referência a várias antas, infelizmente já desaparecidas, na cidade do Porto, engolidas pela urbe, cujo topónimo foi origem do nome do Estádio das Antas, também já desaparecido, embora por razões diversas e em nome do progresso, mas agora de antas, só ficou mesmo o nome.
Alguns números:
  • 1933 - Ano da Assembleia Geral em que surgiu a decisão de construção de um novo estádio para substituir o já pequeno Campo da Constituição.
  • 28 de Maio de 1952 - Inauguração do estádio.
  • 1962 - Inauguração da iluminação artificial.
  • 1976 - Aumento da lotação do estádio de 44.000 para 65.000 lugares.
  • 1986 - Rebaixamento do campo.
  • 1987 - Colocação de cadeiras em todas as bancadas descendo a lotação para 55.000 lugares.
  • 24 de Janeiro de 2004 - Último jogo
  • Março de 2004 - Demolição do estádio.


"De que serve ressuscitar? Toda a gente continua a ver o morto"
Teixeira de Pascoaes

Tuesday, May 13, 2008


JOÃO RAMALHO

Escrito por mim em 1995, recupero este texto, polémico, sobre uma grande figura da História de Portugal e do Brasil


Estávamos no último quartel do séc.XV, em plena era das Descobertas!
Nascia em Vouzela João Belbode Maldonado, filho de João Velho Maldonado e de Catarina Afonso Belbode, que casou, na sua terra com Catarina Fernandes, órfã do granjeiro Fuão das Vacas. Era conhecido como Ramalho , numa alusão às barbas, bigodes e cabelo arrepiados ( naquele tempo, como agora, toda a gente tinha alcunha, e esta tornava-se o verdadeiro nome).
Por razão que a História não nos deixou, terá embarcado numa das caravelas que na altura demandavam o Novo Mundo ( nesse tempo pouca gente embarcava voluntariamente e quase todos os condenados o faziam, uns para servir nas naus e outros para serem abandonados nas novas terras da Coroa, como povoadores).
João Ramalho terá sido condenado por se dar bem e ter negócios com judeus, numa altura em que estes e os que com eles privavam começaram a ser perseguidos; terá por isso embarcado e sido mandado para longe onde não mais seria uma ameaça para a Fé.
A nau em que viajava terá naufragado, e chegado assim a terras de Vera-Cruz, numa data que os nossos historiadores situam entre 1510 e 1512 (?).
A nova existência de João Ramalho desenvolveu-se nos campos de Piratininga, para lá da serra de Paranapiacaba, onde vivia com a índia Potira (nome que na linguagem tupi-guarani quer dizer, flor ), filha do cacique Tibereçá ( o olho-da terra ), com quem casou segundo os costumes locais. Nasceram os primeiros caribocas ( filhos de português e de índia), e a prole foi crescendo de ano para ano.
Inteligente, trabalhador e empreendedor a sua popularidade e prestígio cresciam incessantemente junto das populações locais.
Só muitos anos depois chegam as primeiras caravelas portuguesas a S. Vicente...
Em 1530, a esquadra de Martim Afonso de Sousa ancorou na barra de Buritioca , perto de S. Vicente onde João Ramalho e sua família foram recebidos, tendo o capelão da esquadra baptizado seus filhos-cinco ou seis- e Potira, que recebeu o nome de Isabel. Martim Afonso de Sousa, nessa altura, nomeou João Ramalho como Guarda-Mor dos campos de Piratininga, tendo regressado à Europa em 1533; nos vinte anos seguintes São Vicente só seria visitada por piratas franceses e espanhóis.
Em 1549, Tomé de Sousa primeiro governador-geral do Brasil, chegou à Bahia na companhia de muitas famílias, 600 homens de armas, numerosos oficiais de diversas profissões, 400 degredados e seis jesuítas, incluindo o superior da missão, o padre Manuel da Nóbrega.
Em fevereiro de 1553, desembarcou em São Vicente e, dois meses depois, galgou a Serra, internando-se no planalto. Aí foi recebido por João Ramalho e, em 8 de Abril de 1553, a povoação foi elevada à categoria de vila, com o nome de Santo André da Borda do Campo, e o vouzelense, que já era Guarda-Mor, passou a ser o seu Alcaide-Mor. A partir desta data, chegaram até nós sob a forma de actas das reuniões da Cãmara da vila de Santo André, alguns dados históricos da vida de João Ramalho.
É assim que sabemos que, ao lançar a sua rúbrica, riscava uma ferradura deitada com a abertura voltada para a esquerda: era o "kaf", a sua afirmação de judeu.
Com a chegada dos jesuítas, João Ramalho mandou construir uma igreja na vila, onde não chegou a entrar por ter sido excomungado por pecado de mancebia ( era casado com Catarina Fernandes aos olhos da Igreja).
Este facto levou a um afastamento progressivo entre João e Isabel, convertida pelos jesuítas, tendo esta abandonado a vila para viver com seu pai, Tibereçá na nova vila de Piratininga (a três léguas de distância), onde tinha sido instalado um colégio de jesuítas.
Em 25 de Janeiro (dia da conversão de S. Paulo) de 1554, ao ser celebrada a fundação do novo colégio, era fundada Piratininga (embrião da cidade de São Paulo).
Santo André entrava assim em rápido declínio, pois muitos dos seus habitantes começaram a mudar-se para Piratininga, onde havia portas que se comunicavam com o Céu; além disso os padres de São Paulo já não iam a Santo André.
Em meados de 1560, Mem de Sá, terceiro governador-geral do Brasil, a pedido dos jesuítas de Piratininga, mandou uma ordem a João Ramalho para que abandonasse a sua vila e incorporasse a sua gente aos moradores de São Paulo. Essa medida já era esperada, e o que restava da povoação, apressou-se a mudar para a aldeia nascente de Piratininga (para onde tinha sido transferido o foral de vila do primeiro núcleo lusitano do planalto-Santo André da Borda do Campo), que só depois disso tomou incremento. Diz a história, que João Ramalho foi o último a partir...
A partir de 1560 a população de São Paulo, começou a ser atacada pelos índios, e, face ao perigo eminente, João Ramalho é nomeado Capitão-Mor de São Paulo, para defendê-lo. A Câmara e o povo aclamam-no, e apesar de velho e anteriormente injustiçado, ele aceita.
Em 10 de Julho de 1561, dá-se o ataque de um exército de índios de várias nações, que os piratininganos sob as ordens de João Ramalho e Tibereçá conseguem heroicamente vencer. Este último e Vitorino, filho mais velho de João Ramalho, acabam por falecer na peleja.
O seu nome voltou a ser aclamado pela povoação nascente nos campos de Piratininga, tendo sido eleito vereador da Câmara nas eleições seguintes, cargo que no entanto recusa dizendo-se velho e cansado, e passou a viver afastado da vila.
Amargurado com a lembrança das injustas perseguições a que tinha sido sujeito, e a memória dos entes queridos que já haviam partido João Ramalho sentia-se um sobrevivente no mundo novo que já não era o seu.
Assim em 1580, resolve voltar a São Paulo para oficializar o seu testamento- "Aos três dias do mês de Maio de1580 anos da era de Nosso Senhor Jesus Cristo, perante mim, tabelião, Lourenço Vaz do 1º Ofício de Notas, na presença de Pedro Dias, Juiz Ordinário e de quatro testemunhas, diz João Ramalho, natural de Vouzela, comarca de Viseu, Província da Beira, Portugal, filho de João Velho Maldonado e de Catarina Afonso Belbode, casado na terra com Catarina das Vacas, que já se encontra por estas terras há noventa anos..."
Nos primeiros anos deste século, travaram-se no Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e na imprensa daquela cidade brasileira, vivos debates sobre a figura do vouzelense.
A darmos crédito ao seu testamento feito em cartório, perante o escrivão,o juiz ordinário e testemunhas gradas, em livro rubricado por João Soares, ele chegara ao Brasil em 1490, isto é, antes de Cabral, antes mesmo de Colombo ter aportado a Guanaami, nas Antilhas.
Mas esse testamento (polémico e muito discutido), citado por Pedro Taques e Frei Gaspar da Madre de Deus, assim como por outras pessoas, desapareceu sem deixar maiores vestígios (existem apenas alguns fragmentos dispersos, não sendo reconhecido pela maioria dos historiadores).
No seguimento dos debates atrás referidos, o Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo nomeou uma comissão para estudar vário pontos menos claros da vida de João Ramalho. Devido à escassez dos documentos existentes poucas conclusões se puderam tirar; uma delas é que efectivamente ele utilizava o "kaf" hebraico na sua assinatura.
O efectivo desconhecimento histórico de alguns factos da sua vida envolveram-nos em lenda que a pesquisa histórica se esforça ainda hoje por esclarecer...
Não se sabe com que idade (mais de cem anos?), ou em que ano morreu João Ramalho (não sem antes se ter confessado e ter sido absolvido), mas sabe-se que foi um dos primeiros povoadores europeus do Novo Mundo e que a sua colaboração foi inestimável como elemento de ligação entre o colonizador português e os índios do Brasil , aplainando as arestas de um convívio nem sempre pacífico.
Fica para a história como o grande povoador dos campos de Piratininga, que daria origem em 1554 à fundação da cidade de São Paulo.
Como escreveu Tomé de Sousa, primeiro governador-geral do Brasil,ao Rei de Portugal, em 1553: "...Johão Ramalho, natural do termo de Coimbra, que Martim Afonso já achou nesta terra, quando cá veyo. Tem tantos filhos, netos, bisnetos e descendentes que ho não ouso dizer a V.A... Não tem cãs na cabeça nem no rosto e anda nove léguas a pé antes do jantar"...


"Por mares nunca de antes navegados..."

Camões

Monday, May 12, 2008


AS ORIGENS DA CIDADE DO PORTO


De Edições Pátria - Gaia de MCMXXXII, tenho a felicidade de ter acesso a "As origens da cidade do Porto" por Mendes Corrêa, Prof. da Universidade do Porto. Deixo uma Carta do Porto pré e proto-histórico (do Autor) e algumas palavras do mesmo para aguçar o apetite para futuras incursões neste tema. "A arqueologia e a toponímia antos respeitantes ao Porto e seus arredores. eles mostram a remotíssima antiguidade da ocupação humana nesta área a N. do Douro." Da análise cuidada deste mapa poderemos tirar várias ideias da antiguidade desta região e tentar, num exercício de raciocínio aplicado localizar os topónimos aí referidos com o Porto da actualidade. O mais fácil de localizar (agora também já não) é o porquê do nome do antigo Estádio das Antas, pois o que não falta naquela localização são antas, mamoas e arcas, como podemos observar. O que terá o dragão a ver com isto...


"As pessoas não serão capazes de olhar para a posteridade, se não tiverem em consideração a experiência dos seus antepassados"

Edmund Burke

Sunday, May 04, 2008


MANUAL DE CIVILIDADE E ETIQUETA


Inicio hoje algumas notas sobre civilidade e etiqueta retiradas do respectivo manual (sétima edição), editado em 1903, ou seja há 105 anos editado por Arnaldo Bordalo, em Lisboa e fazendo parte da colecção "Enciclopédia de Livros Úteis", da qual é o quarto volume.


"Todos os actos da nossa vida publica teem de obedecer a praxes estabelecidas, a um geral convencionalismo, sob pena de sermos considerados descortezes e ignorantes. Saber viver na sociedade quer dizer que nos sabemos comportar com a delicadeza e dentro das formalidades que o respeito pelos outros e por nós próprios nos impõe. A polidez no trato, a cerimonia que nos cumpre observar em grande parte das nossas acções, acorrecção do nosso comportamento, a linha genérica dos nossos habitos, tudo isso que à primeira vista poderá parecer incommodo e inutil é, sem duvida, d'onde deriva o grau maior ou menor da civilização das nações. Se não houvesse um codigo de civilidade e etiqueta, se cada um procedesse sem attenção para com as demais pessoas, a moral social não existiria... Assim a civilidade é a moral. A'parte os caprichos das modas, que são enfim, os toques do gôsto nas exterioridades da nossa vida, os preceitos do saber viver desenvolvem os mais puros sentimentos da nossa alma, tornando-nos aptos para merecer a veneração de todos e permitindo-nos que desempenhemos no mundo o nosso verdadeiro papel."


Cremos haver muita actualidade nestas palavras, na civilidade ou na falta dela e nas confusões da liberdade nos dias de hoje. Quando se fala tanto em liberdade e civismo, convém não esquecermos também a civilidade!

"Ser livre significa em primeiro lugar ser responsável para consigo mesmo"

Mircea Eliade

Thursday, April 10, 2008


GROUCHO MARX


Quando estive em Halifax, assisti a várias conferências, algumas bastante interessantes, particularmente uma delas em que eram muito bem apresentadas algumas ideias novas dentro daárea em debate. O conferencista terminou com uma frase e uma imagem que junto a este texto. Aquela frase de Groucho Marx ficou bem marcada e procurei mais algumas citações do mesmo actor e autor. Deixo algumas delas:


"Estes são os meus princípios. Se você não gosta deles, eu tenho outros"

"Eu nunca esqueço um rosto, mas, no seu caso, vou abrir uma excepção"

"O matrimónio é uma grande instituição. Naturalmente, se você gostar de viver numa instituição."

"Acho a televisão muito educativa. Toda as vezes que alguém liga o aparelho, vou para outra sala e leio um livro"

Groucho Marx

Tuesday, April 08, 2008


PREVENÇÃO RODOVIÁRIA BRASILEIRA


É sabido que o povo brasileiro é muito mais pr'á frente e desinibido que o português que é muitas vezes apelidado por aquele de macambúzio ou sorumbático. Vem isto a propósito de uma campanha da Prevenção Rodoviária Brasileira constituída por um conjunto admirável de outdoors. A sua congénere Portuguesa também está a evoluir, mas de uma forma um pouco melodramática. Fica um exemplo da criatividade brasileira.



"O género humano sempre meteu a ridículo os próprios dramas. Como é que os poderia ter suportado de outro modo? É por isso que tudo o que o género humano levou a sério releva do lado cómico das coisas"
Oscar Wilde




ESTRAMBÓLICO, adj.



Alteração popular de estrambótico. Estrambótico, adj. Estravagante; antiga composição poética de carácter amoroso.

Procurando a etimologia e o significado desta palavra curiosíssima, deparo no Dicionário de Língua Portuguesa on line HostDime com estrambólico adj fam V estrambótico que no mesmo dicionário é definido como adj. Pop. Extravagante, singular. / Afectado, ridículo. Ou seja, algo que não é comum, bizarro, podendo também ser considerado de mau gosto ou ridículo.

Junto uma imagem fantástica do anjo estrambótico, retirado de "Osiris y su mundo", uma verdadeira composição poética.

"Muitas vezes, o sublime e o ridículo encontram-se tão estreitamente relacionados, que é difícil classificá-los separadamente. Um passo além do sublime e cai-se no ridículo; um passo além do ridículo e chega-se ao sublime."
Thomas Paine


Friday, April 04, 2008


CONTORCIDO, adj.
(de contorcer). Que sofreu contorção; serpenteado, dobrado. // Que sofreu desvio ou modificação (em sentido próprio e figurado). Como sempre, fui ao Grande Dicionário da Língua Portuguesa de 1981 buscar estes significados, mas pode haver outros. Por exemplo na micro anatomia do rim aquilo que em Portugal se chama tubo contornado proximal (e distal) no Brasil tem o nome de túbulo contorcido proximal (e distal)


CALEIDOCICLOS CONTORCIDOS: O desenho de motivos entrelaçados usados para esses caleidociclos (desenhos periódicos), baseia-se numa rede de rectângulos. Para cobrir o caleidociclo contorcido, sobrepôs-se ao desenho periódico uma rede obliqua de triângulos, de forma que as arestas do topo e da base, assim como as da direita e da esquerda, condissessem uma as com as outras. Os retângulos no padrão original determinam o comprimento das arestas dos triângulos e os seus ângulos de inclinação. Quando girar este caleidociclo contorcido, verá as figuras cambalearem num ciclo infinito.


Tal como os caleidociclos, conhecemos ao longo da nossa vida pessoas oblíquas e contorcidas que cambaleiam pela vida num ciclo indefinido.


"A melhor resposta às calúnias é o silêncio"
Benjamim Jonson

Tuesday, April 01, 2008






HALIFAX II

Voltando a Halifax, estando eu a rever as fotografias tiradas na altura, deparei com estas duas, deliciosas na imagem, não sei se também no sabor do seu conteúdo pois confesso que não experimentei. Sendo Halifax famosa pela sua lagosta, que até no aeroporto havia à venda eu como bom português preferi a lagosta ao bife de tubarão. Mas que me deixou curioso, deixou!


"A primeira lei dos dietistas parece ser esta: se sabe bem, faz-te mal"
Isaac Asimov


Saturday, March 29, 2008


HALIFAX

No ano passado estive em Halifax, no Canadá. Não sabia onde ficava e verifiquei no mapa que era um dos locais daquele país mais próximo da Europa. No final dos dias de trabalho visitávamos aquela cidade marítima na companhia dos colegas espanhóis que nos acompanhavam na viagem. Numa dessas deambulações sou chamado pelo meu amigo Carlos C., espanhol, para admirar um monumento a um navegador português que se encontrava num pontão, junto ao mar e do qual junto uma fotografia tirada na altura. Tratava-se de um monumento a João Álvares Fernandes(1460-1525), navegador Português, nascido em Viana do Castelo. A curiosidade levou-me a conhecer um pouco da vida deste nosso antepassado, talvez mais conhecido no Canadá do que no seu próprio país. Os navegadorers Portugueses não viajaram só para o sul, mas também exploraram o Atlântico norte. Foram exemplos de exploradores destas terras, João Fernandes (que em 1497 baptizou o Labrador) e Gaspar Corte-Real em 1500. Estas viagens iniciais foram seguidas pela tentativa (infrutífera) de João Alvares Fagundes de fundar uma colónia nessa região, em Newfoundland. Álvares Fagundes recebeu do rei D. Manuel I em 1521 o exclusivo do comércio e povoamento das áreas por si descobertas e que correspondiam a parte do costa nordeste das Américas no que são hoje as províncias marítimas canadianas da Nova Escócia, Labrador e Terra Nova.


No ano de 2000 foi erigido este monumento para celebrar a chegada dos primeiros europeus à Nova Escócia no ano de 1520.



"A perseverança é a mãe da boa sorte"
Miguel de Cervantes


Sunday, March 23, 2008

PALEOETNOLOGIA DE LAFÕES



Da obra "Povos antigos de Portugal - Paleoetnologia do território hoje português" de João e Augusto Ferreira do Amaral (Quetzal editores 1997), retiramos algumas curiosidades relativas a topónimos da região de Lafões. A palavra topónimo deriva dos termos gregos τόπος (tópos), lugar, e ὄνομα (ónoma), nome, literalmente, o nome de um lugar. Vamos a alguns exemplos:


Alcofra al qufra de deserta - Árabe


Vouga , vauga ,vauca , uauga , ouákona de torto - Antigo Europeu
Adsamo (Adçamo) , ad de em ou muito e samo igual a verão - Celta


Cambarinho ,cambar , camari de quinta do camaro (cambarinus - antropónimo Celta)


Caramulo , eminência - Antigo Europeu


São Macário , magalio , magalus -Celta



Cambra , calambria , calambriga Celta (Briga igual a colina, cabeço, povoação, castelo no alto dum monte)


Sul ,teónimo Celta


Conclusão: os Celtas andaram por aqui!



"A História é um conjunto de mentiras sobre as quais se chegou a um acordo"
Napoleão Bonaparte

Thursday, March 20, 2008


CIRCUNCISFLÁUTICO III


Voltemos ao tema das amígdalas, que vá-se lá saber porquê, me tem interessado desde já alguns tempos... Falo, convém salientar das amígdalas cerebelosas cuja ablação levará ao recém denominado Síndrome do Circuncisfláutico. É curioso que uma parte tão importante do nosso cérebro seja desconhecida da maior parte das pessoas. a amígdala é um um centro do sistema límbico (cérebro primitivo) que é o ponto central do sistema endócrino e vegetativo. A amígdala é pois especializada nas questões emocionais funcionando como um arquivo da memória emocional; a vida sem amígdalas é uma existência sem significado pessoal e sem afecto: a paixão depende dela assim como a lágrima (excusiva do ser humano). Na arquitectura cerebral a amígdala é também como uma central programada para enviar chamadas de urgência: por exemplo ao mínimo sinal de medo a amígdala envia mensagens que setimulam a secreção de hormonas que desencadeiam a reacção de combate ou fuga e mobiliza os centro de movimento e o sistema cardiovascular; outros sinais vão para a secreção de adrenalina, com os efeitos conhecidos de todos. A amígdala é pois uma sentinela das nossas emoções. Podemos considerá-la como o centro da inteligência emocional tão em moda na actualidade. Estimulemos as nossa amígdalas e não nos deixemos tornar circuncisfláuticos, num país cada vez mais circuncisfláutico.
"A emoção é sempre nova, mas as palavras usam-se desde sempre: daí, a impossibilidade de exprimir a emoção"
Victor Hugo


Monday, March 10, 2008


CIRCUNCISFLAUTICO II


Estava eu a acabar de colocar no ar, ou na rede, ou onde quer que seja o primeiro circuncisfláutico, quando surgiu na minha frente a possível e qiçá provável origem do circuncisflautismo. E tem tudo a ver com as amígdalas, ou para ser mais correcto, com a falta delas. Desenganem-se aqueles, que serão concerteza alguns dos que lêem estas linhas (se é que alguém lê esta coisa), que isto é um problema para ser resolvido pela especialidade de Otorrinolaringologia; pois não é: e porquê? Como diria o outro, amígdalas há muitas: as palatinas, as linguais, as faríngeas e last but not the least as menos conhecidas amígdalas cerebelosas. No latim amygdala, do grego antigo αμυγδαλή, amygdalē, significa "amêndoa", "tendão" ou ainda corpo amigdalóide (do latim corpus amygdaloideum) refere-se a qualquer órgão anatómico em forma de amêndoa. Ora as amígdalas cerebelosas são grupos de células nervosas que, juntas, formam uma massa esferóide (amigdalóide) de com cerca de dois centímetros de diâmetro, situada no lobo temporal do cérebro de grande parte dos vertebrados, incluindo o homem. Esta região do cérebro faz parte do sistema límbico (cérebro primitivo) e é um importante centro regulador do comportamento sexual e da agressividade. É também importante para os conteúdos emocionais das nossas memórias. O mau funcionamento ou a remoção bilateral das amígdalas cerebelosas origina o Síndroma de Kluver-Bucy, caracterizado pela ausência de respostas agressivas, pela cortesia exagerada, pela oralidade e pela hipersexualidade; os indivíduos perdem a capacidade de avaliar uma situação de perigo, ficando impossibilitados de apresentar sinais de medo ao serem confrontados com estímulos adversos. Os indivíduos tornam-se mais dóceis, apresentam baixos níveis sanguíneos das hormonas do stress e apresentam menor probabilidade de desenvolverem úlceras e outras doenças induzidas pelo mesmo. Uma outra consequência é a regressão à fase oral, levando o indivíduo a colocar na boca tudo o que encontra, mesmo coisas completamente inadequadas ao consumo humano. Creio que esta Síndroma de Kluver-Bucy poderia também chamar-se Síndroma do Circuncisfláutico. Se não querem ficar circuncisfláuticos, não deixem que vos tirem as amígdalas... cerebelosas!


"São maus descobridores os que pensam que não existe terra porque só podem ver o mar"
Francis Bacon

Monday, March 03, 2008



CIRCUNCISFLÁUTICO





Desde logo é uma palavra fora do vulgar, que o Dicionário da Língua Portuguesa HostDime define como: adj Hum 1 Que fala rebuscadamente; amaneirado, pretensioso. 2 Misterioso. 3 Sorumbático. Ora parece-me que amaneirado, pretensioso, misterioso e sorumbático não são exactamente a mesma coisa e em alguns casos até parece não ligarem muito bem. Quererá então circuncisfláutico significar tudo isto junto; se assim for será dificil encontrar uma imagem para o caracterizar. Que tal esta?
"Não há beleza perfeita que não contenha algo de estranho nas suas proporções"
Francis Bacon

Saturday, March 01, 2008


ATLÂNTIDA


O mito da Atlântida é um dos que mais paixões tem gerado ao longo dos anos. A mitologia grega diz que Atlântida foi uma poderosa nação cujos moradores eram tão corruptos e gananciosos que Zeus decidiu destruí-la, através de uma enorme inundação. A primeira descrição da Atlântida foi feita na obra "Timeu e Crítias" de Platão (370 A.C.) e, desde então, inúmeras hipóteses têm sido especuladas sobre a sua localização, que segundo Platão ficava para lá das "Colunas de Hércules" (estreito de Gibraltar); alguns historiadores defendem que se tratava não só de uma cidade mas de um continente soterrado no meio do Atlântico, tendo sido proposto que as ilhas dos Açores são os pontos mais altos do que já foi o continente perdido da Atlântida.


Acabei agora de ler um livro muito interessante, chamado "A Terceira Atlântida - As raízes da tradição atlante nos Açores" de Fernanda Durão Ferreira, editado pela Zéfiro em Novembro de 2007. No prefácio da obra, baseada apenas em factos reais e por isso nada especulativa, Fonseca e Costa escreve: "No meio do Oceano Atlântico, numa ilha onde os touros são lidados tal como Platão conta quando descreve a Atlântida, a autora teve notícias do antigo império de Poseidon. Procurados desde sempre por arqueólogos, investigadores e aventureiros, os vestígios do continente perdido estão, afinal, presentes no dia-a-dia dos açorianos. Como uma plataforma no tempo, a Ilha Terceira manteve vivos durante muitos séculos alguns dos usos e costumes dos atlantes descritos pelo filósofo grego."


Não é a primeira vez que os Açores são apontados como os antigos cumes do continente desaparecido: quem não se lembra do Enigma da Atlântida (1955), aventura em banda desenhada de Blake e Mortimer de Edgar P. Jacobs que coloca a Atlântida na ilha de São Miguel. Qualquer dia volto a este tema.


"A parte que ignoramos é muito maior que tudo quanto sabemos"



Saturday, February 23, 2008


ARQUEOLAFÕES IV

Cova do Lobisomem


Só o nome dá curiosidade de conhecer e eu conheço muito bem pois não me canso de a visitar ano após ano e cada vez mais me intriga a sua localização no tempo passado, relacionado com a sua utilização. Quem a utilizou, e em que tempos(?), é pergunta que não temos visto respondida. Aristides de Amorim Girão nas suas Antiguidades Pré-Históricas de Lafões de 1921, faz uma excelente descrição desta gruta que passo a citar: "... na margem direita do rio (Couto), cerca de 200 m. a montante da torre medieval (de Cambra) ... encontramos uma caverna unteressantíssima, do período paleolítico, conhecida pelo nome deveras sugestivo de Cova do Lobisomem, onde si vera est fama, se recolhe 0 fantasma a descançar das longas fadigas que pasa percorrendo sete freguesias numa noite... A situação da caverna em relação ao rio e o facto de ficar na parte externa duma curva deste, onde a erosão é portanto mais activa, levam a crer que ela tenha sido em parte escavada pelas águas; mas é na sua máxima parte artificial. Consta de uma galeria ou corredor cuja entrada mede 2,40 m. de altura por 2 m. de largura; vai estreitando gradualmente para o interior, conduzindo a uma vasta câmara de forma oval irregular por um estrangulamento onde a custo cabe um homem de pé, pois não tem de largura mais de 0,40 m., tendo aliás 2,20 m. de comprimento. A câmara com cerca de 5 m. de comprido por2,50 m. de largo e outro tanto de alto, pode comportar dez homens bem à vontade. O comprimento total, incluíndo a galeria e câmara, regula por 18m. Toda a caverna foi aberta em saibro muito rijo, quási tão consistente como o granito, tendo na parte superior da câmara um pequeno buraco totalmente tapado por uma cobertura de calhaus rolados ligados por um cimento arenoso e argiloso muito duro e incontestavelmente produto da indústria humana; o fundo está completamente obstruído de areia e calhaus rolados." É a melhor e mais completa descrição da Cova do Lobisomem que eu conheço, apesar dos seus 87 anos de idade. Em Vouzela: A Terra, os Homens e a Alma (2001), faz-se uma referência curiosa à Memória Estadística de Lafões (1823) do Dr. Joaquim Baptista: "... Perto do rio do Espírito Santo em Cambra, há uma escavação muito longa em terreno de aspecto aurífero, e os mais sensatos crêem ser cava subterranea, que de alguma fortaleza guiava ao rio, a fim de se fornecerem de agoa os assistentes no Castello. Quanto a mim, pelo aspecto do terreno, direcção e extensão da Cava, suponho serem galerias de mina antiga do tempo dos Fenícios, Cartagineses ou Romanos". Na Carta Arqueológica do Concelho de Vouzela (1999), tal como em Vouzela:Património Arqueológico; sítios e rotas (2005) não é feita quaquer referência a este sítio. Porquê?... Fica a pergunta e já agora uma fotografia em que se pode ver a entrada, a galeria e ao fundo a câmara.

"Existem coisas que, para as saber, não basta tê-las aprendido"

Séneca

Tuesday, February 19, 2008


ESMERILHAR

Voltando ao nosso vocabulário, surge hoje uma palavra que ouvi no barbeiro, ao falar com um cliente a quem fazia a barba perguntando-lhe se quando fazia a barba em casa a pele se costumava esmerilhar. Fiquei a pensar nesta palavra e recorrendo mais uma vez ao Grande Dicionário da Língua Portuguesa, fiquei mais baralhado; dizia o seguinte: Esmerilhar, v. tr. O m.q. esmerilar. Esmerilar, v. tr. Polir ou despolir com esmeril.//Fig. Aperfeiçoar; pesquisar.//Esquadrinhar. Continuava intrigado e tentei procurar quaquer coisa na Internet e no dicionário inFormal alguém definia esmerilhar como "dançar tão agarradinho com se os dois fossem um só". Continuei a procurar e encontrei outra definição: dar os retoques finais. Mas estava ainda longe do esmerilhar do barbeiro. Entretanto ia correndo o google e a certa altura fez-se luz quando ao falar de ferramentas eléctricas para esmerilhar surgiram os significados de polir ou lixar. Ora aqui estava a resposta à minha pergunta, esmerilhar è uma forma polida de dizer lixar. Nas minhas pesquisas encontrei ainda o termo esmerilhar o bimbo que será um termo popular para a cópula tão invulgar como por exemplo esmurrar a cotovia, agasalhar o croquete, meter o invertebrado ou espocar a silibina (vá-se lá saber porquê!).

Atenção: a foto mostra uma máquina de esmerilhar e não de barbear; não tentem fazer a barba com aquilo...

Devo ter uma enorme quantidade de inteligência; às vezes até levo uma semana para a colocar em movimento.

Wednesday, February 06, 2008





CAMBALACHO

Esta também não encontrei no dicionário, mas aqui a razão é simples. O termo cambalacho foi popularizado pela novela brasileira com o mesmo nome, significando cambalacho golpada, logro ou como dizem os brasileiros trambique. Foi uma das novelas de maior sucesso no Brasil, onde passou em 1986. A novela foi também exibida em Portugal, pelo que o termo cambalacho atravessou assim o Atlântico.

Cambalacho em Portugal é nome de jogador e treinador de futebol. Uma recente sondagem aos adeptos do Boavista FC, considera Osvaldo Cambalacho um dos treinadores mais importantes que passaram pelo clube, talvez porque na década de 60, em que o clube andou por divisões secundárias, mais concretamente em 1966, foi ele o treinador da subida à primeira divisão num dramático jogo em Fafe, onde o Boavista empatou depois de ter vencido no Bessa por 2-1.

Osvaldo Cambalacho, como jogador foi campeão nacional no FC Porto.


"Quem quer mais do que lhe convém, perde o que quer e o que tem"
P. António Vieira