Tuesday, January 03, 2012
SINCRONICIDADE
Sincronicidade é um conceito desenvolvido por Carl Gustav Jung para definir acontecimentos que se relacionam não por relação causal e sim por relação de significado. A sincronicidade é também referida por Jung como "coincidência significativa".
O termo foi utilizado pela primeira vez em publicações científicas em 1929, porém Jung demorou ainda mais 21 anos para concluir a obra "Sincronicidade: um princípio de conexões acasuais", onde o expõe e propõe o início da discussão sobre o assunto. Uma de suas últimas obras foi, segundo o próprio, a de elaboração mais demorada devido à complexidade do tema e da impossibilidade de reprodução dos eventos em ambiente controlado.
Em termos simples, sincronicidade é a experiência de ocorrerem dois (ou mais) eventos que coincidem de uma maneira que seja significativa para a pessoa (ou pessoas) que vivenciaram essa "coincidência significativa", onde esse significado sugere um padrão subjacente.
A sincronicidade difere da coincidência, pois não implica somente na aleatoriedade das circunstâncias, mas sim num padrão subjacente ou dinâmico que é expresso através de eventos ou relações significativos. Foi este princípio, que Jung sentiu abrangido pelos seus conceitos de Arquétipo e Inconsciente coletivo, justamente o que uniu o médico psiquiatra Jung ao físico Wolfgang Pauli, dando início às pesquisas interdisciplinares em Física e Psicologia. Ocorre que a sincronicidade se manifesta às vezes atemporalmente e/ou em eventos energéticos acausais, e em ambos os casos são violados princípios associados ao paradigma científico vigente. Segundo Rocha Filho (2007), inclusive o insight pode ser um fenômeno sincronístico, assim como muitas descobertas científicas que, de acordo com dados históricos, ocorreram quase simultaneamente em diferentes lugares do mundo, sem que os cientistas tivessem qualquer contato. Acredita-se que a sincronicidade é reveladora e necessita de uma compreensão, e essa compreensão poderia surgir espontaneamente, sem nenhum raciocínio lógico. A esse tipo de compreensão instantânea Jung dava o nome de "insight" (texto retirado da Wikipedia).
Jung define três categorias de sincronicidade:
1. coincidência de um estado psíquico com um evento externo objetivo simultâneo.
2. coincidência de um estado psíquico com um evento externo simultâneo mas distante no espaço.
3. coincidência de um estado psíquico com um evento externo distante no tempo.
Através da definição destas categorias, podemos perceber que nos fenômenos sincronísticos, o tempo e o espaço são relativos, isto é, o fenômeno acontece independente destes. Basicamente o que define a sincronicidade são a coincidência e o significado.
Porque nada é por acaso.
Todos nós, ao longo da nossa vida passamos por episódios de sincronicidade e a mim, o mais recente que me aconteceu foi no final do ano passado, o qual passo a contar: era um dia de Outubro cerca das 20:30 e na altura estava a preparar uma reunião científica e falhou-me uma pessoa pelo que tive que convidar alguém para substitutir; isto já tinha acontecido uns dias anters, mas por várias razões ainda não tinha sido possivel fazer o contacto pois o número de telemóvel que eu tinha dessa pessoa não era o correcto. Faço então a chamada e estava interrompido; ouço então o telefone fixo a tocar e vejo que o número que me está a ligar é aquele para o qual eu estava a tentar fazer a chamada. A sincronicidade é que as nossa relações profissionais eram apenas institucionais, nunca nos tínhamos falado ao telefone (móvel particular), não nos víamos há mais de dois anos, ambos andámos à procura dos rspectivos contactos, para fazermos um convite um ao outro exactamente no mesmo dia, na mesma hora e no mesmo minuto!
"Deus não joga aos dados"
Albert Einstein
Sunday, January 01, 2012
CASTROS IV
Tal como sucede nos demais povoados fortificados construídos durante a Idade do Ferro no Noroeste peninsular, o "Castro de São Caetano" ergue-se de forma destacada no cume de uma colina sobranceira ao rib.º de Silvas, no "Lugar de Outeiro".
Situa-se na freguesia de Longos Vales (onde o Mosteiro é digno de se ver, concelho de Monção e foi por nós visitado na passada semana. A denominação deste local foi definida pela construção da Capela de S. Caetano, entre os séculos XVII/XVIII. A nível arqueológico este castro apresenta um conjunto de três linhas de muralha, definindo-se assim como povoado fortificado de grandes dimensões. O castro de S. Caetano era um povoado típico da Idade do Ferro, implantado num cabeço aplanado de onde se avista um largo tramo do Rio Minho. São visíveis habitações circulares e sub rectangulares, o que atesta, conjuntamente com o espólio cadastrado, a importância deste povoado desde o século I a.C. até ao século II d.C. Mas o que mais se destaca neste castro e o que o distingue de muitos outros é a sua acrópole, localizada um pouco acima das ruínas que aparecem na imagem e que ficam junto à Capela de São Caetano; esta estrutura, situada no alto do cabeço é constituída por uma enorme afloração granítica e terá servido seguramente como um local muito importante para aquela comunidade a exemplo do que se passa também em outros castros, como já antes nos referimos em relação ao Castro do Couço. Seria importante reflectir sobre a importância destas estruturas na vida dos nossos antepassados, mas isso ficará para outra ocasião. Entreteanto vale a pena ir até ao local e respirar aquela atmosfera... Foi pena, na nossa visita, que o Centro Interpretativo, inaugurado em 2009 e que fica bem perto do castro, estivesse fechado...
"As pessoas não serão capazes de olhar para a posteridade, se não tiverem em consideração a experiência dos seus antepassados."
Edmund Burke
MAPINGUARY
Uma espécie de "monstro" lendário que habitaria a floresta Amazónica tem atraído um grande número de cientistas para a região. Nos últimos anos, eles realizaram diversas expedições para tentar encontrar a criatura, chamada mapinguary.
A simples menção ao nome do mapinguary é suficiente para dar calafrios na espinha da maioria daqueles que habitam a floresta. O folclore na região é cheio de histórias sobre encontros com a criatura e, quase em todas as tribos indígenas da Amazónia há uma palavra para o designar. O nome geralmente pode ser traduzido como "a besta malcheirosa" ou "o animal barulhento". A criatura de mais de dois metros de altura e grandes garras faz parte do folclore local que tem sido transmitido de gerações em gerações, povoando o imaginário dos indígenas daquela região e já espalhado como mito por todo o mundo como o comprovam as expedições científicas criadas para o tentar encontrar. Uma dessa expedições protagonizada por Pat Spain para o Nat Geo Wild e baseada em relatos de habitantes locais que tiveram contacto com o "monstro" aponta para que este seja uma preguiça-gigante ( Megatherium americanum), animal que se julgava extinto há dez mil anos.
"As explicações místicas passam por profundas; a verdade é que nem sequer são superficiais."
Friedrich Nietzsche
Thursday, December 29, 2011
PALÁCIO DA BREJOEIRA
Quando os filhos fazem 18 anos, os pais dão-lhes um telemóvel, um "tablet", um computador, uma viagem, a carta de condução ou mesmo um carro, para os mais sotudos. Mas para os 18 anos da filha, Luís Pereira Velho de Moscoso, mandou construir o Palácio da Brejoeira; para quem não conhece, é mesmo um Palácio, com o respectivo quarto do Rei onde se destaca a magnífica mesa de cabeceira e os chinelos orientais. Tem também jardim, bosque, ginásio,ténis, bámintôn e, já me esquecia, um vinho que não é mau de todo. A respectiva Aguardente Velha (cognac em francês) custa na origem €60 (é só uma garrafa, atenção!). Há gente com sorte, ma deve haver algumamaldiçãoali pois desde 1834 o Palácio já foi vendido e comprado quatro vezes.
A actual dona tem 93 anos e apesar da grande coleção de armas africanas não teve filhos. Há gente com sorte e há gente que poderia ter sorte se tivesse nascido no lugar certo e na hora certa..., apesar do Palácio ser muito frio no inverno!
"Arquitectura é música petrificada"
Goethe
Thursday, December 01, 2011
Nova Torre de Vilharigues
Após três anos de silêncio, aqui estou outra vez. Lembrei-me de voltar depois de passar pela Torre de Vilharigues e desde logo não ter percebido aquele caixote de cimento que agora aparece a caminho da Torre. Depois a curiosidade é muita para saber se o resultado final é aquele que aparece nas imagens de propaganda, das quais junto uma. Aqui estamos para ver e quiçá comentar.
Sunday, November 23, 2008

ARQUEOLAFÕES V
Voltando à arqueologia da região de Lafões e mais uma vez com a ajuda Aristides de Amorim Girão, faço agora uma breve referência à pedra das Ferraduras Pintadas a cerca de um Km da povoação de Benfeitas, freguesia de Destriz, concelho de Oliveira de Frades. Sobre ela escreve Amorim Girão: "Trata-se dum conjunto de sinais gravados numa laje granítica em ligação evidente com a rocha viva, e que forma uma superfície quási plana e suavemente inclinada, medindo 6,50 m de comprimento por 3,50 m de largura. Estes sinais, representados no esboço ao lado, apresentam-se repartidos em secções segundo as linhas de fractura da rocha e ainda por sulcos que parecem artificialmente feitos. É certo que o conjunto se encontra em grande parte já apagado pelo desgaste natural da rocha; aproveitando, entretanto, a ocasião em que o sol está mais baixo sobre o horizonte, nitidamente se podem distinguir estes sinais, e até mesmo aqueles que, por estarem mais desgastados, dificilmente se distinguiriam em outras condições. A gente da localidade diz que estão ali gravados (pintadas é o termo, embora não haja indicio visivel de cores em tal monumento) os pés de todos os animais que havia em outro tempo, sendo também da tradição que era naquele rochedo que as Mouras traziam o ouro ao sol."
Qual será realmente o seu significado?
"As coisas que os homens conhecem, de nenhuma maneira podem ser comparadas, numericamente, com as coisas que se desconhecem"
Chuang Tzu
Wednesday, November 12, 2008

CASTROS III- Cabeço do Couço
Povoado localizado num cabeço bastante íngreme, sobranceiro ao rio Alcofra que corre a sul. A sua origem remonta ao Bronze Final, perdurando a sua ocupação durante a idade do ferro. As escavações arqueológicas realizadas no seu interior, numa pequena plataforma localizada no lado norte, puseram a descoberto os alicerces de três casas de planta circular em pedra, e a face interna da muralha que circundava o cabeço. Do seu espólio constam entre outras cerâmicas de uso doméstico, cossoiros, mós, contas de colar e fragmentos de objectos metálicos de bronze e ferro. Os trabalhos de prospeção e escavação decorreram en 1997 e 1998 e Paisicaico esteve lá, conforme a foto ao lado documenta. A abertura do estradão que sobe o cabeço, atravessou a muralha defensiva e pôs a descoberto algum espólio que na altura era facilmente identificável e recolectável por quem ali passasse. Vale a pena a visita ao pouco ou muito pouco que ainda está explorado e a subida até ao cimo do cabeço, onde existem umas extensas lajes de pedra que segundo alguns testemunhos locais teriam a ver com os mouros, o que quer dizer que são antigos e que poderão estar relacionados com um lugar de culto dos habitantes do castro, conforme nós pessoalmente testemunhámos. A encosta sobre o vale do Alcofra é quase inexpugnável e só isso vale a visita. Apropósito fica na freguesia de Campia, concelho de Vouzela.
"A História é um conjunto de mentiras sobre as quais se chegou a um acordo"
Napoleão Bonaparte
Monday, November 03, 2008

ROMÃ
Algumas curiosidades curiosas sobre a romã: é o fruto da romãzeira (Punica granatum) e a sua principal característica distintiva é que o seu interior é subdividido por finas películas, que formam pequenas sementes possuidoras de uma polpa comestível, sendo provavelmente originária do próximo oriente e daí a importância que teve ao longo dos milénios para várias civilizações e religiões. A romã é referida nos textos bíblicos onde é associada às paixões e à fecundidade. Os gregos consideravam-na como símbolo do amor e da fecundidade tendo a romãzeira sido consagrada à deusa Afrodite, pois os gregos acreditavam nos seus poderes afrodisíacos. Para os judeus, a romã é um símbolo religioso com profundo significado no ritual do ano novo quando sempre acreditam que o ano que chega sempre será melhor do que aquele que vai embora. Ela estava também presente nos jardins do Rei Salomão e os romanos utilizavam-na nas suas cerimónias e nos seus cultos como símbolo de ordem, riqueza e fecundidade. Actualmente descobrem-se novas propriedades terapêuticas da romã que foram investigadas no Centro Oncológico da Universidade da Califórnia, sendo as suas principais acções anticancerígena e antioxidante. A romã diminui a multiplicação de células do cancro da próstata e conduz à sua morte. A descoberta foi recentemente publicada na revista científica “Clinical Cancer Research”, e indica que o sumo deste fruto pode ter efeitos terapêuticos memo após uma intervenção cirúrgica. Têm sido também referidas as suas acções no combate ao colesterol e ao envelhecimento e até mesmo prevenir a doença de Alzheimer. Mas o efeito afrodisíaco continua a ser um dos mais procurados na româ e actualmente está comprovado o seu mecanismo de acção ao aumentar a produção de óxido nítrico, contribuindo assim para a vasodilatação do pênis.
O sumo de romã tem demonstrado melhorar a disfunção eréctil em homens e nas mulheres, parece aumentar o desejo sexual. Facto curioso é que ainda hoje, em Israel podemos encontrar o vinho feito de romãs que constitui uma bebida revigorante também neste caso considerado como afrodisíaco por aqueles que o bebem.
O sumo de romã tem demonstrado melhorar a disfunção eréctil em homens e nas mulheres, parece aumentar o desejo sexual. Facto curioso é que ainda hoje, em Israel podemos encontrar o vinho feito de romãs que constitui uma bebida revigorante também neste caso considerado como afrodisíaco por aqueles que o bebem.
"Sexo é a coisa mais divertida que eu já fiz sem que risse"
Woody Allen
Friday, October 31, 2008

LICOR DE MERDA
Muitos já terão ouvido falar ou mesmo provado o Licor de Merda, licor de leite fabricado em Cantanhede, mas poucos saberão a origem do seu singular nome. Pois, recorrendo ao seu sítio na internet, podemos verificar: "Em 1974 nascia o Licor de Merda. Portugal passava por um período conturbado marcado pela luta entre a esquerda e a direita. Neste contexto, o Licor de Merda foi criado para "homenagear" algumas autoridades que então governavam Portugal. Marca registada desde Abril de 2004." No mesmo site e em Curiosidades "* CONTRA-RÓTULO DA PRIMEIRA GARRAFA NO LONGÍNQUO ANO DE 1974 *O Licor de Merda é um produto de alta qualidade, cuja fórmula pertenceu no final do século XX ao Frade maluquinho "BASKU GONSALBES".É extraído a partir de diversas merdas de confiança, sujeito portanto a criar depósito com a idade.Recomenda-se que seja servido com o cuidado indespensável para não turvar." Interessante, não é?...
"Que pena beber água não ser um pecado! Que bem saberia então!"
Giacomo Leopardi
Giacomo Leopardi
Thursday, October 30, 2008

PAISICNICO ?
Interessante, apesar de discordar, é a interpretação para a inscrição rupestre das Corgas Roçadas, no lugar de As Torres em Carvalhal de Vermilhas (Vouzela), dada no site referido abaixo. E não concordo pois simplesmente não consegui encontrar no local (que conheço razoavelmente bem) tantas letras como aqui vêm referidas e que levaram à respectiva interpretação. De qualquer forma aqui fica a curiosidade, traduzida do castelhano:
"Paisicaico também poderia ser Paisicnico. Segundo o autor seria um texto de carácter jurídico e não votivo, que relata que Anión, filho de Vello, toma posse de um campoe Paisicaico coloca o título ou inscrição de propriedade"
Para quem quiser ver o original vá ao respectivo site.
"A vida é a infância da imortalidade"
Johann Goethe
Wednesday, October 15, 2008

CASTROS II
Numa nova incursão pelos castros do Norte de Portugal e da Galiza, aconselho hoje uma visita ao Castro de Santa Tegra (o nome é galego; em português seria Santa Tecla). Situa-se na Guarda (em castelhano, La Guardia), na parte mais elevada de um morro, num local previlegiado dominando a foz do rio Minho e a fronteira natural com Portugal, como se pode ver na imagem junta. O acesso ao local é muito fácil, por estrada alcatroada e no cimo do monte existe um pequeno museu onde podemos admirar alguns achados arqueológicos do castro (das épocas do Paleolítico, Neolítico, Idade do Bronze, Cultura Castreja e Galaico Romana, sendo de salientar o remate de dois torques em ouro entre várias outras peças) e adquirir iconografia sobre o assunto.
"As paisagens insignificantes existem para os grandes paisagistas; as paisagens raras e notáveis são para os pequenos"
Friedrich Nietzsche
Monday, October 06, 2008

BARÃO DE SÃO GERALDO
A curiosidade sobre este título é que encontramos dois barões de São Geraldo, um de cada lado do Atlântico. Quanto ao título português, foi concedido pelo rei D. Carlos I, em 17-08-1899 a José Geraldo Rodrigues, nascido em Quintela, freguesia de Ventosa, concelho de Vouzela, em 07-01-1842. Foi um homem trabalhador, filho de pais pobres mas que pelo seu engenho e labor conseguiu granjear fortuna, trabalhando primeiro no Porto e depois no Brasil, durante mais de 30 anos. Ao regressar a Portugal fez sentir na sua terra natal a sua acção filantrópica. Faleceu na sua casa de Ventosa em 14-07-1907. Curiosamente, na Wikipédia encontramos uma referência a um barão de São Geraldo no Brasil, título concedido por D. Pedro II a Joaquim José Álvares dos Santos Silva. Não consegui mais nenhuma informação sobre este título brasileiro, ou se poderá haver alguma relação entre os dois até porque José Geraldo Rodrigues viveu largos anos no Brasil...
"A estirpe não transforma os indivíduos em nobres, mas os indivíduos dão nobreza à estirpe"
Dante Alighieri
Dante Alighieri
Sunday, October 05, 2008

CASTROS I
Há tempos atrás falei de uma excelente publicação, infelizmente muito difícil de encontrar, denominada "Guia dos castros da Galiza e Noroeste de Portugal". É curioso como nós desconhecemos, por vezes aquilo que está tão perto de nós, como acontece por exemplo com o Castro de Monte Mozinho. Este castro situa-se no concelho de Penafiel e fica não muito longe daquela cidade que tem ligação ao Porto por auto-esstrada; significa isto que a cerca de meia-hora do Porto encontra-se um original castro, como a figura documenta, bem conservado e sinalizado, que merece uma visita por aqueles que se interessam pela proto-história de Portugal. Além disso e ao contrário do que acontece em outros locais históricos existe uma ampla área de estacionamento, facilitando a visita aos forasteiros. Vale a pena visitar o Castro de Monte Mozinho ou Cidade Morta de Penafiel...
"Para suportar a sua própria história, cada um acrescenta-lhe um pouco de lenda"
Marcel Jouhandeau
Monday, September 29, 2008

OUVIDO ÚNICO
Quando falamos de ouvido único, geralmente referimo-nos a qualquer condição patológica em que um dos ouvidos deixou de funcionar, com os inconvenientes daí resultantes como a falta de esteriofonia e de capacidade de localização dos sons. Mas aqui queria fazer referência ao único ser vivo conhecido que tem apenas um ouvido, que se localiza no torax, o que também é único. Localiza-se mais propriamente na linha média ventral do metatorax, compreendendo uma câmara auditiva, dois tímpanos e quatro órgãos sensoriais; a sua sensibilidade auditiva ultrapassa frequências superiores a 20.000 Hz ou seja uma audição ultrasónica. Este ouvido está sintonizado para frequências de 25-60 KHz com limiares de 55-60 dB que é o alcance da ecolocação dos morcegos o que suporta a evidência que os louva-a-deus usam a sua audição como uma defesa contra os predadores.
"Alguns ouvem com as orelhas, outros com o estômago, outros com o bolso e alguns, simplesmente, não ouvem"
Khalil Gibran
Saturday, September 27, 2008

NÉMESIS II
Não era da némesis copépode que eu estava a pensar, antes de olhar para o dicionário, mas da verdadeira Némesis, deusa grega da ética. Nêmesis representa a força encarregada de abater toda a desmesura (Hibrys), como o excesso de felicidade de um mortal, ou o orgulho. Essa é uma concepção fundamental do espírito helênico: "Tudo que se eleva acima da sua condição, tanto no bem quanto no mal, expõe-se a represálias dos deuses. Tende, com efeito, a subverter a ordem do mundo, a pôr em perigo o equilibrio universal e, por isso, tem de ser castigado, se se pretende que o universo se mantenha como é". Nêmesis é também chamada "a inevitável". Actualmente, o termo némesis é usado para descrever o pior inimigo de uma pessoa, normalmente alguém ou algo que é exatamente o oposto de si mas que é, também, de algum modo muito semelhante a si. Por exemplo, o Professor Moriarty é frequentemente descrito como a némesis de Sherlock Holmes. É algo como o seu arqui-inimigo, algo que o anula, mas nutre-lhe um grande respeito e admiração. Considerada também por alguns como deusa da vingança ou como a personificação da indignação moral. Como exemplo da acção de Némesis, temos a história de Narciso, que era o belo filho do rio Cephissus e da ninfa Liriope e era tal a sua beleza que as mulheres olhavam uma vez para ele e logo se apaixonavam; o vão Narciso só tinha olhos para si próprio e rejeitava todos os admiradores. Némesis condenou então Narciso a passar o resto da sua vida admirando o seu reflexo nas águas de uma piscina e eventualmente Narciso morreu e foi transformado na flor que tem o seu nome. Também chamada Andrasteia ou Rhamnusia, devido ao seu santuário em Rhamnus na Ática, onde era a defensora das relíquias e memórias dos mortos, do insulto e da injúria; na mitologia grega é o espírito da retribuição divina e da fé vingativa, personificad por alguns por uma deusa sem remorsos.
"Não há maior vingança do que o esquecimento"
Baltasar Gracián y Morales

NÉMESIS
Némesis, s. f. Zool. Género de crustáceos copépodes da família dos Diquelestiídeos. É esta a definição no Grande Dicionário da Língua Portuguesa (1981). Mas o que são afinal os copépodes: são nem mais nem menos o grupo de organismos pluricelulares mais abundante no planeta, superando em número de indivíduos até os insectos; podem formar agregações com densidades superiores há 11000 indivíduos por litro; possuem de 1 a 5 mm de comprimento e um olho naupliano mediano típico na maioria (seja lá o que isto for).
"Mesmo quando eu estava em multidão, eu estava sempre sozinho"
Ernest Hemingway
Friday, September 19, 2008

RELÓGIO DE SOL
Conforme podemos ler na Wikipedia "Um relógio de sol mede a passagem do tempo pela observação da posição do Sol. Os tipos mais comuns, como os conhecidos "relógios de sol de jardim", são formados por uma superfície plana que serve como mostrador, onde estão marcadas linhas que indicam as horas, e por um pino ou placa, cuja sombra projetada sobre o mostrador funciona como um ponteiro de horas em um relógio comum. A medida que a posição do sol varia, a sombra desloca-se pela superfície do mostrador, passando sucessivamente pelas linhas que indicam as horas." O gnómon é a parte principal do Relógio de Sol que serve como ponteiro e possibilita a projecção da sombra e terá tido origem na antiga babilónia.
Apesar de ser um objecto actualmente pouco utilizado existem bastantes exemplares em Portugal, de que deixo aqui um exemplo ilustrativo e um site interessante sobre o assunto (http://www.cienciaviva.pt/rede/himalaya/home/guia5.pdf)
"O tempo é a imagem móvel da eternidade imóvel"
Platão
Sunday, September 14, 2008

PASSION FRUIT
Sempre me intrigou um pouco a origem deste nome, que também é dado ao maracujá. Passiflora edulis / P. edulis flavicarpa da família das Passifloraceae. Será pelo nome - passiflora / passion fruit? Não me parece. Então porque será? Vamos às propriedades medicinais: o sumo, mas especialmente as folhas contêm alcalóides que baixam a pressão arterial e têm ação sedativa e antiespasmódica. A flor é um sedativo e ajuda a induzir o sono; tem também sido utilizada no tratyamento da asma, insónia, problemas gastrointestinais, problemas da menopausa e até mesmo como alucinogénio. Os seus carotenóides e flavinóides podem ter também um efeito anticancerígeno. Com a chegada dos europeus à América do Sul o maracujá foi introduzido na Europa e as suas folhas foram utilizadas medicamente pelo seu efeito sedativo. O nome de Passio Fruit foi dado pelos missionários católicos da América do Sul, o que eu pessoalmente acho um pouco estranho porque esses missionários seriam portugueses ou espanhóis... A corona da flor seria vista como a coroa de espinhos, as cinco stamina como as cinco feridas de Cristo, as cinco pétalas e as cinco sépalas como os dez apóstolos (excluindo Judas e Pedro); e os três estigmas como os nós na cruz. Desenganem-se pois aqueles que quereriam achar uma outra dimensão da fruta da paixão; para esses deixo-lhes a letra de Passion dos Passion Fruit:
"P.A.S.S.I.O.N.Yes, we do the best we can P.A.S.S.I.O.N.That means passion, man El bacho, el bachoSo give me the bassQue pasa, que pasaWe will rock your placeGet busy, get busySo, give me the bassMe besa me besaLipstick on your face Venga con migoOla ola amigoUhu caballeroOla ola te quiero P.A.S.S.I.O.N.Yes, we do the best we can P.A.S.S.I.O.N.That means passion, man (2x) "
"Quando a paixão entra pela porta principal, a sensatez foge pela porta dos fundos"
Thomas Fuller
Saturday, September 06, 2008

ÍRIS
Íris, Zool. Género de insectos ortópteros, cursórios, da família dos mantídeos, representado na fauna de Portugal, vulgarmente conhecido pelo nome de louva-a-deus. O louva-a-deus, cientificamente chamado Paratenodera aridifolia, é um animal deveras curioso e desde logo no nome, que lhe advém de ser um predador paciente que geralmente passa horas à espera de uma vítima, unindo as patas dianteiras, como se estivesse a rezar. Vou enumerar algumas dessas curiosidades deveras curiosas:
- Ouvido: as louva-a-deus são o único animal com um só ouvido.
- Canibais: as crias de louva-a-deus caçam assim que nascem. Chegam a comer-se umas às outras!
- Carnívoras: só comem presas vivas, geralmente outros insectos (e por vezes, o parceiro!)
- Apaixonado: mesmo depois de decapitado, o louva-a-deus macho pode continuar a acasalar!
http://www.pavconhecimento.pt/exposicoes/modulos/index.asp?accao=showmodulo&id_exp_modulo=218&id_exposicao=8
Talvez por estas curiosidades, O Grande Dicionário da Língua Portuguesa, termine a sua referência ao louva-a-deus // Obs. Não se justifica o uso dete vocábulo no género feminino.
"Atiramos o passado ao abismo, mas não nos inclinamos para ver se está bem morto"
William Shakespeare
ARCO-ÍRIS
Íris, s. m. (do gr. iris, pelo lat. iris. O espectro solar // Meteoro atmosférico em forma de arco que oferece cores variadas, e que está sempre colocado no lado oposto do sol.; vulgarmente arco-da-velha. Fig. paz, alegria, promessa de felicidade. (Grande Dicionário da Língua Portuguesa, 1981)
"O nome desfigura as coisas"
Teixeira de Pascoaes
Subscribe to:
Posts (Atom)



